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Vance e o Rio visto por outro ângulo

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Tiago Petrik

[Tiago Petrik]

Assim que terminou a escola, Vance Poubel foi aprovado para a faculdade de Psicologia, mas resolveu contar uma pequena mentira para os pais. “Me inscrevi só no segundo semestre, pra ficar seis meses sem fazer nada. Foi incrível nos três primeiros dias. Depois foi insuportável o vazio. Todo mundo estudando, fazendo alguma coisa, e eu, nada”, lembra. Como praticante de ninjútsu, uma arte marcial japonesa, navegava pela internet à procura de vídeos. E por acaso caiu num que mostrava um tal de “parkour”. Essa cena já tem 12 anos. De lá pra cá, Vance – ou BaconMan, como é mais conhecido – praticamente tornou-se o responsável pela introdução da atividade no Rio. “Aqui, quem não foi meu aluno foi aluno de aluno meu. Não tem outra possibilidade”, diz, sem querer soar pretensioso.

Ele dá aulas numa academia em Botafogo, mas seu grande orgulho é levar a molecada – os alunos têm a partir de 13 anos – para “devolver a cidade para eles”. Para Vance, o Rio é um dos cenários mais espetaculares do mundo para a prática, e não é à toa que os gringos piram quando vêm pra cá. Não faltam opções de desafios, sobretudo no Aterro do Flamengo e na Praia de Botafogo, onde ele costuma ser encontrado facilmente.

Embora o parkour tenha competições, o que reúne os praticantes é muito mais a filosofia associada à prática – muitos sequer o consideram um esporte. “O parkour é transgressor por princípio. Tem campeonato, mas ninguém leva a sério, é só pra poder viajar a turma toda. A gente divide os prêmios. É muito perigoso ficar se arriscando por causa de dinheiro. É pelo salto”, garante. Da mesma forma, ele também já viajou, especialmente para França e Inglaterra, onde a prática é mais difundida, em busca de novos desafios. Em breve, planeja voltar a um subúrbio de Paris para um salto considerado uma lenda entre os adeptos, de cerca de 6 metros. “Mas posso chegar lá e achar que ainda não estou pronto”, diz.

Esse cuidado se percebe também numa estatística impressionante: em 12 anos, Vance garante nunca ter se machucado, nem lembra de algum aluno seu que tenha sofrido um acidente. A cicatriz que ele carrega na testa foi fruto de um acidente de bike, quando ele pedalava sem as mãos no meio do trânsito. “Nunca fiz academia nem tomo suplemento alimentar. O parkour te forja. É muito natural”, avalia. A propósito: Vance nem sequer gosta de bacon, não sai à noite e nem bebe. “É aleatório, não tem explicação. Vance era um nome difícil de guardar. Sou o maior saudável!

Nome: Vance Poubel.
Mas me chamam só de… Bacon.
Idade: 28.
Faz o quê? Parkour.
Carioca da… gema.
Lugar da cidade de que se sente dono: Aterro do Flamengo.
Cidade do mundo em que também se sente em casa: Londres.
Música que mais combina com o Rio: “Águas de março”.
Música que mais toca no seu iPod: “Go with the flow”, Queens of the stone age.
Adoro: solidão no meio do caos.
Devoro: açaí.
Me encharco de: mate com limão.
Li e recomendo: “Arte cavalheiresca do arqueiro zen”
Vi e recomendo: “Clube da luta”.
Ponto da praia: Posto 8.
Esconderijo (antes dessa entrevista) secreto: o esqueleto do antigo Hotel Glória.
Time: Nietzsche Futebol Clube.
Escola de samba: Unidos do Lao tse.
Bloco: “Vamos ver Netflix la em casa”.
Signo: touro.
Religião: a do Star Wars.
Instrumento musical: baixo.
Prato preferido: churrasco.
Melhor vista do Rio: nascer do sol na Pedra da Gávea.
Meio de transporte: bike.
Sonho de consumo: um ginásio de parkour.
Promessa pro ano novo: sobreviver ate o ano seguinte.
Meta para a vida: não ter uma meta. Mas assim que atingir a meta, dobrá-la.
Faço o estilo… mendigo alternativo.
Pro Rio ficar ainda melhor só falta… ser mais barato.
Esporte preferido: parkour.
Terapia: me perder nas matas da Floresta da Tijuca.
Quem tem a cara do Rio? Rogério Skylab.
Cor: preto.
Flor: rosa.
Maior dor: demolição do antigo castelo no Parque dos patins.
Época em que gostaria de ter vivido: a dos vikings.
Programa de TV: Família da pesada.
Site/blog em que mais navega:  vlog YouTube.com/escherparkour
Dia ou noite? Dia.
Liso ou estampado? Liso.
Colorido ou P&B? p&b.
Conforto ou elegância? Conforto.
Quem gostaria de ser por 24 horas? Jakie Chan.

Pra votar em Vance Poubel no V Concurso Anual do Retrato Ideal e Otimista da Carioquice Autêntica (Carioca 2016), separa aquelas roupas que você não usa mais, mas continuam em bom estado; cada peça arrecadada vale 5 pontos! Alimentos não-perecíveis também entram na conta. Tudo será entregue à Associação Lutando para Viver. Sua doação pode ser feita na Casa Ipanema (Rua Garcia d’Ávila, 77, Ipanema) nos dias 23 ou 25/2, entre 17h e 20h. Nessas datas, teremos encontros com os candidatos, em torno de seus esportes. O encontro com o Vance será no dia 23. Quem comparecer e postar uma foto no Instagram com a hashtag #vancecarioca2016 garante 10 pontos pra ele. Nos vemos lá!

 

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