Ir para conteúdo

Galeria Urbana: a margem nunca foi tão central

Fotos:
|
Texto: RIOetc

Fotos: divulgação

[Rafael Doria]

Arte de rua, arte marginal – isto é, à margem, na beirada, fora do centro. Pô, mas que papo é esse? Tá cheio de mochila, tênis de marca, comercial de TV se utilizando dessa linguagem. Até as galerias já estão abrindo os olhos para isso, e muito artista começa a poder viver de sua produção.

Mas nada tinha me chamado tanta atenção quanto o projeto Urban Gallery, patrocinado pela construtora Brookfield. A empresa convidou artistas para darem vida a cinco tapumes seus, espalhados por quatro cidades brasileiras (São Paulo, com dois trabalhos, Rio, Brasília e Goiânia). Os artistas foram escolhidos pela Galeria Rojo, de Milão, o que garantiu diversidade de olhares e qualidade.

No caso carioca, recebemos o excelente trabalho da artista espanhola Ovni e a possibilidade de um intercâmbio cultural entre artistas pelo mundo, de certa maneira oficializando a “marginalidade”. No caso, a margem da construção de um empreendimento imobiliário, especificamente em seus  tapumes de lata brancos, que pareciam pedir: “me pinta!”. Essas cercas que substituíram os velhos tapumes de madeira das obras antigas têm um dom latente para suporte à arte. Suas ondas combinam com a cidade, mas seu branco, não. E, apesar de serem “na beirada” da obra, trazem a obra de arte pro centro da questão.

A foto que abre a Galeria Urbana de hoje é do artista Momo fazendo o tapume da Brookfield Towers, em Sampa. E aqui embaixo, as outras internvenções que já rolaram, com breves comentários. O artista Selon ainda vai executar sua obra goiana.

O californiano Tofer Chin chegou com seu trabalho de padrões geométricos e repetição cromática na selva de pedra paulistana, criando a sensação de um caleidoscópio horizontal.

Em Brasília, o paulista Flavio Samelo despejou sua artilharia de linguagens na cidade que veio do papel. Foto, tinta, adesivo, tudo se mistura pra transformar o suporte quase em um espelho fantástico com reflexos ilusórios. Tudo parece organicamente calculado, assim como a capital.

A bela artista espanhola Ovni baixou no Rio com um trabalho de outro mundo. Na verdade, trouxe para cá a novíssima arte do Velho Mundo, que cada vez mais se utiliza de muitas cores e formas que, apesar de abstratas, sempre nos fazem pensar estar vendo alguma figura conhecida.  O que talvez a diferencie seja a feminilidade desta relação das formas orgânicas com cores vibrantes que se harmonizaram perfeitamente com o Rio. Aqui embaixo, uma imagem em grande angular da obra dela.

PS dos editores: O RIOetc apoia a utilização da cidade como suporte para a arte e meio de transformação dela própria. Aqui neste link, você pode conferir os trabalhos feitos a nosso convite por alguns artistas cariocas, para a seção “Se essa rua fosse minha…”. São intervenções oníricas, nunca realizadas. E aí, alguém se anima?

Comentários