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Sobre pipas e grafites: o Vidigal do Tarm

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Bruna Velon]

“Tá dando pipa”, informa as condições do tempo um cara parado numa das ladeiras do Vidigal. Bons ventos sopram por lá (que fique claro que isso é apenas uma metáfora que não condiz com as condições normais de temperatura e pressão sob um sol de meio dia de janeiro, catalizado pelas subidas das ladeiras). “E aí, Thiago! Vai soltar pipa mais não?”, pergunta outro morador ao anfitrião Thiago Molon, o Tarm, 24 anos. “Vou soltar pipa até morrer. Sou viciado em pipa e grafite, minhas duas paixões”. Nascido e criado por lá, é ele quem comanda nossa visita guiada pelas ruas do Vidigal atrás de grafites (e bons lugares para empinar pipas). Partiu?

O ponto de partida é a rua Principal, ou João Goulart no Google Maps, onde já se vê algumas pinturas. Mas, subindo um pouco, é que começa o percurso. No “atalho” tem um corredor de grafites assinados pelo anfitrião Tarm, que convoca outros artistas para pintar. A última vez foi em novembro, com Big, Meton, SWK, Jou, Joana César, Mateu Velasco e Ment, “ele é meu paizão, me ensinou muita coisa”. Esse é o pico principal do grafite no Vidigal, um percurso bem íngreme suavizado por uma explosão de cores.

Logo à frente, uma das artes mais interessantes do tour. Ment se apropriou de um muro degradado para pintar uma favela. Subindo mais e mais, chegamos na Rua Noronha Filho. Atrás da associação dos moradores, se vê dois grafites assinados por Paulo Ito (aquele que ficou falado durante a Copa do Mundo por pintar um menino chorando de fome com uma bola de futebol no prato). E este é o lugar favorito do Tarm para fazer pipas ganharem o céu. “Noronha, casa 3”.

Sobe, sobe, sobe e chega à Rua Nova. Mais grafites por ali. No caminho, uma senhorinha diz “Tá ficando elegante”, elogiando Thiago com sua camisa do Flamengo velha de guerra. Ali, fica um graff feito por Cash e Tarm: um turista portando um mapa e um monte de frutas e legumes. “O gringo vem conhecer o Vidigal, mas só sobrou a xepa”, explica Tarm.

Já que para baixo todo santo ajuda, o circuito agora é descendo, seguindo para a Rua Dr. Olinto Magalhães, o trecho globalizado do tour. Os franceses Kongo e Noe Two foram dois que deixaram seus traços na comunidade da Zona Sul carioca. Mais à frente, tem o pernambucano Derlon e seus personagens nordestinos.

Desta vez, o Vidigal do Tarm ficou por aqui, com a promessa de voltar quando o Rio40graus der uma trégua para fazer a parte 2 desse roteiro.  “Eu tive que subir lá alto para ver”… pipas e grafite. (To be continued…).

Fotos: Tiago Petrik

 

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