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Sebá Tapajós: o Pará no Art Rua

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos de Victor Ronccally

[Bruna Velon] 

A arte urbana chegou nas águas da Amazonia. Chegou a bordo do barco do paraense Sebá Tapajós, que pintou, nas humildes casas de duas comunidades ribeirinhas, o movimento das marés do grande rio em cores e os rostos dos nativos da região. Nos traços do artista, o tempo corre talhando a pele castigada dos caboclos, com as expressões da cara fluindo em linhas estreitas e ramificadas como as dos igarapés, do tupi, “caminho de canoa“. O projeto – que é a primeira galeria fluvial do mundo – chama-se Street River e acaba de aportar no Santo Cristo, para a sexta edição do Art Rua, que acontece até domingo, com mais de 30 artistas do Brasil e do mundo.

“Essas comunidades ribeirinhas do Pará são como as favelas do Rio de Janeiro. Falta infraestrutura básica, como escola, posto de saúde, falta até água num lugar que é cercado por um rio. São pessoas invisíveis para os governantes“, conta Sebá. “Depois que pintei as casas, apareci no GloboNews e mandei um beijo para todo o estado do Pará, as pessoas começaram a falar sobre esses locais, isso chamou atenção dos políticos para a situação deles. Só por isso, já valeu, mas ano que vem pretendo continuar“.

Convencer os nativos não foi tarefa das fáceis. Crucial para o processo foi D. Angélica, de 91 anos, que “pega açaí, mata galinha, tem muita vida“, a primeira a aceitar que sua casa fosse pintada. “Depois dela, só ganhei bênçãos dos povos da floresta, pintei mais 16 casas. As crianças e os idosos foram abrindo meus caminhos. Quero pintar todo o Rio Amazonas. Sabia que o mapa do metrô de Londres foi inspirado no Rio Amazonas?“, brinca e vislumbra Sebá o futuro.

Aqui no Rio, Sebá pintou para o Art Rua a fachada de uma das galerias do evento, onde dentro é possível apreciar suas telas e assistir um vídeo-documentário sobre seu projeto. Para navegar na internet, o artista tem um canal no Youtube.

 

Art Rua 2016: festival dobra de tamanho e tem programação paralela no Rua City Lab

No primeiro ano do festival de arte urbana, em 2011, a Região Portuária estava longe de ser o que é hoje, o lugar da cidade onde tudo acontece. Para  sua sexta edição, o Art Rua expandiu suas fronteiras e adentrou para o bairro de Santo Cristo, o novo vetor de expansão do porto. Além do galpão, o festival conquista sua primeira programação paralela oficial, no vizinho Rua City Lab, um laboratório de experimentações urbanas com coworking, café, food trucks, programação musical e exposição Somos Todos Imigrantes, com curadoria de William Baglione.

“O trecho da Praça Mauá, Rodrigues Alves e Orla Conde já está consagrado no roteiro dos cariocas, então decidimos mudar de local para ocupar mais territórios na região, tanto com frequentadores quanto novos painéis de arte, que ficarão de legado. O projeto de revitalização da área não pode ficar restrito àquela parte”, comenta André Bretas, idealizador e curador do Art Rua junto com Cristiano Kana.

Todas as programações são gratuitas, tanto no Art Rua quanto no Rua City Lab, inclusive as festas. Hoje tem Tecla, das 18h às 23h, e MOO, das 23h às 5h da manhã. No sábado, é a vez de Fiji, seguida da Trap’in, nos mesmos horários. A programação completa está no evento no Facebook.

 

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