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São Paulo, galeria a céu aberto

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Bruna Velon] São Paulo

Uma coisa é certa: não importa quantas vezes você vá a São Paulo, sempre haverá mais São Paulo para descobrir. Há São Paulo pra todo lado, é desvairada por todos os cantos. Uma cidade de horizontes verticais e todos os tons de cinza: cinza-asfalto, cinza-arranha-céu, cinza-caindo-aos-pedaços, cinza-vidro-fumê, cinza-poluição. Por isso mesmo, lá as cores têm tanto a dizer. E é nesse espírito “white walls say nothing”, que vale desvendar essa cidade tão louca num rolé (ou rolê) em alguns dos picos do grafite mais emblemáticos do Brasil e do mundo. Quem curte vai se sentir no epicentro da arte urbana. Para passear por Sampa com a Galeria Urbana do RIOetc, vai dando play nas setas, ok?

Comecei o roteiro na Praça Roosevelt, pico do skate em São Paulo desde os anos 80. Ali está rolando o projeto #combataocinza, da Converse, em parceria com o artista Eduardo Srur. Diversas pessoas “doaram” suas sombras para que elas fossem coloridas ali no mesmo chão, onde dezenas de skatistas praticamente voam sobre rodinhas. Próximo a cada uma foram registrados o nome do artista e a hora do dia em que foi pintada.

Seguindo para a Rua Augusta me deparei com outra necessidade de colorir essa concrete Sampa, só que de verde. Faz 40 anos que um terreno desapropriado, o último resquício de Mata Atlântica no centro da cidade, é alvo de uma discussão sobre a construção de um parque ou torres. Sim, eles querem construir mais prédios. Arte-protesto e ervas daninhas tomam conta do muro que fecha o acesso ao parque. São diversas frases, cartazes e pinturas que revelam ao olhar “estrangeiro” qual a real demanda da vizinhança. É uma leitura quase poética dos muros. Daí vemos que as paredes sempre têm tanto a dizer.

Dali, o rumo era a Vila Madalena, reduto de bares animados, ateliês e galerias incríveis e lojas interessantes, tudo com uma pegada cosmopolita num bairro superacolhedor. O roteiro começava na rua Luiz Murat, mas no meio do caminho (Rua Henrique Schaumann com Cardeal Arcoverde) tinha um mural, aliás, dois. Do Kobra, que ficou conhecido por homenagear Oscar Niemeyer na avenida Paulista. “Irados!”, não tive outra interjeição para descrever. Um deles representa o Viaduto Santa Ifigênia, no Centro, numa cena de São Paulo das antigas. O outro, chamado “Viver, reviver e ousar”, traz crianças em movimento, cores e formas geométricas características do artista.

Ao seguir pela Luiz Murat, você já va entra no clima para o Beco do Batman, que se chama assim porque nos anos 80 alguém pintou o homem-morcego naquele canto abandonado. As mediações das ruas Medeiros de Albuquerque e Gonçalo Alonso viraram atração turística paulistana, já que ali estão painéis de artistas brasileiros e gringos, como Highgraff, Zezão, Osgêmeos, Speto, Boleta, entre outros.

Além do Centro e da Vila, vale visitar o Cambuci (área dominada pelos osgêmeos), o Museu Aberto de Arte Urbana (entre as estações de metrô Portuguesa-Tietê e Santana) e Túnel da Paulista, alguns dos lugares consagrados pelo grafite. Mas como as distâncias são longas, esses roteiros ficaram pra próxima. Mas lembre-se: no meio dos caminhos sempre há coisas incríveis para quem está distraidamente atento.

Indoor

Quem visitar a cidade por agora, fica a dica de boas exposições que estão rolando por lá:

Choque Cultural: um clássico da Vila Madalena, fica pertinho do Beco do Batman. Além das exposições temporárias, vale ir para ver os artistas representados pela galeria, como Rafael Silveira.

Zipper Galeria: até 9 de agosto rola exposição do Zezão, conhecido por pintar em canais, galerias de esgoto e viadutos.

Fortes Vilaça: de 1º de julho a 16 de agosto o galpão será ocupado pela exposição A Ópera da Lua, dos Osgêmeos, com telas, esculturas e instalações 3D.

Fotos: Bruna Velon

 

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