Ir para conteúdo

RIOetc entrevista VIK MUNIZ!

Fotos:
|
Texto: RIOetc
Foto: Camila Uchôa

Vik Muniz, nascido em São Paulo em 1961, é o artista plástico brasileiro mais…como dizer de outro jeito?, mais fodão da atualidade! Estabelecido em meio período no Rio (a outra parte do tempo ele passa nos States), Vik esteve semana passada no evento Todo Mundo Pode Mais, do CDI, e a gente teve a sorte de esbarrar e conversar cinco minutinhos com ele. Simpático como a foto mostra, o engajamento dele é coisa antiga, como dá pra ver nas imagens de obras que a gente reproduz aqui. Nesta série, “Ulterior” (1998), ele fez fotos do pessoal que trabalha em Gramacho, utilizando o próprio lixo do local.

Como a arte pode incluir as pessoas?

Eu acho que a arte é um elemento conector muito forte entre mundos. Você, sendo artista, está sempre lidando com a idéia da pessoa que está comprando o seu trabalho, o sistema de museus, você tem essa coisa glamourosa de estar viajando, e vivendo vidas que nem eu pensei que existiam.
Mas para se estar ali é preciso estar com o pé no outro mundo, o mundo das coisas tangíveis, reais, que acontecem para a grande maioria. E muito do trabalho do artista é de unir as extremidades. Porque eu vim de uma família muito pobre, mas não tão pobre quanto as pessoas que estão vivendo em Gramacho, por exemplo.
.
.

Imagem: Reprodução

Te acrescentou estar ali, conviver com aquelas pessoas?

Amplia um pouco a minha visão do que é a vida, do que pode ser o mundo. Eu acho que a arte tem essa capacidade, o artista consegue estar no “céu” e no “inferno”, ele tem acesso a dois mundos diferentes. Até a idéia de luxo está sendo muito comprometida, porque desigualdade social não é uma coisa legal. Então enquanto as soluções não chegam, você tem que dialogar, precisa haver comunicação entre os extremos, e o artista é fundamental, pois ele consegue ser um mediador.

.
Nosso blog fala bastante sobre o Rio. Essa cidade te desperta algo? Você tem um carinho especial por ela?

O Rio é minha cidade preferida, a mais linda do mundo. Junto com Nova York, é onde eu moro. O Rio é a cara do Brasil, é um resumo do nosso país, o Nordeste, o Norte, o Sul, tudo fica concentrado aqui.
E eu estou envolvido de cabeça em vários projetos: uma Semana de Arte, que vai acontecer no ano que vem, a construção de uma escola de arte na Praça Mauá… Estou envolvido até o pescoço em projetos nesta cidade e pretendo me envolver cada vez mais.
.

Imagem: Reprodução

A gente esteve na semana passada com o Selarón. Ele é chileno, já morou em vários países mas escolheu ficar por aqui. Por que você acha que o Rio abriga tantos artistas?

.Olha, a base do meu projeto da Semana de Arte é que poderia ser uma feira, porque dinheiro, galeria, isso tudo tem em São Paulo, mas no Rio existe algo que em nenhum outro lugar a gente encontra, que é o artista. É um lugar onde as pessoas se encontram, conversam, por isso se torna o ambiente perfeito para um evento somo a Semana de Arte, um evento que pretende englobar a cidade inteira.
Eu aprendi muito com a minha exposição aqui [que rolou ano passado], existe público, e ele é sofisticado, diverso e importante. O Rio é uma cidade de verdade, e isso vai além da presença da arte, é um lugar onde existe vida, diversidade, e isso é a coisa mais importante.

.

Imagem: Reprodução

Graaaaaaande Vik! A gente já era fã antes, e agora é ainda mais! Pra quem quer conhecer mais do trabalho dele, aqui tá o link pro site oficial (em inglês) do artista. Ah, essa última arte aí de baixo não é dele, não: foi feita pela nossa Camila Uchôa, como homenagem!

.
Foto e arte: Camila Uchôa

Comentários