Ir para conteúdo

RIOetc entrevista Toz

Fotos:
|
Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

[Carolina Isabel Novaes]

São tantos os trabalhos de Toz espalhados pela cidade, que é difícil catalogar: uns desaparecem, outros surgem, mudam de lugar. O primeiro foi em 1998, no Corte de Cantagalo, e não existe mais. Um dos mais recentes foi feito em 17 dias, em janeiro deste ano: é o maior mural do Rio, que ocupa 2.100 metros quadrados na Zona Portuária, um marco na paisagem carioca.  “Grafite é uma arte efêmera”, avalia Toz. É, mas aí eis que aparece um livro, um livro que documenta cinco anos de trabalho do designer, grafiteiro, nome dos mais conhecidos na arte urbana. É o primeiro livro de Toz.

“Toz- Traço e trajetória” vai ser lançado na próxima terça-feira, na galeria que o representa, a Movimento. Estão lá os cerca de sete personagens criados pelo artista – a Nina, o BB Idoso, o Shimu, o Insônia, o Rei da Noite e por aí vai. Cada um conta um pouco do way of life de Tomaz Viana, baiano de Salvador, que cresceu vendo Moraes Moreira no Trio Elétrico, guardando na retina as cores do Mercado Modelo, aonde ia sempre com o avô. Sua mãe era gerente das duas lojas Company que a cidade tinha. “Eu era o maior playboy da Company”, lembra Toz, com carinho. “Era chamado pra todos os aniversários, todo mundo queria ganhar presente da Company”. O pai era publicitário – quando o grafiteiro tinha 9 anos, seu pai o pegou pelo braço e disse: “Vamos fazer uma tatuagem”. Os dois foram: Toz fez um cavalo alado, que ele já apagou, e o pai fez uma águia.

A partir disso e de outras experiências – hoje a mãe é designer de joias, a irmã, Maria Rita Viana, é figurinista – , Toz foi tecendo sua relação com arte e moda. Ele já desfilou, com o Fleshbeck Crew, no Rio Moda Hype, e chegaram a ter loja na Galeria River – queriam roupa masculina “que não fosse camiseta justa, apertadinha”, “calça dobrada pescando siri… Não dá pra eu usar isso, entende? Fica ridículo em mim. A gente queria roupa pra gente usar ” explica Toz – “Mas moda, comércio, é outro game”. Desde 2007, quando uma galeria de Belo Horizonte começou a representá-lo, ele vive só de arte. E é a partir desta data que o livro traça a trajetória de Toz, a partir do ano em que ele deixou de fazer grafite em quarto de adolescente, de desenhar tatuagem, de, enfim, trabalhar como designer para se sustentar.  Ele mudou de galeria – hoje está com Ricardo Kimaid, da Movimento, e, com 37 anos recém completados, se considera um Vendedor de Alegria, como os caras que carregam bolas coloridas no maior calor.

– Quando entrei na Faculdade da Cidade, fiz um zine com os amigos. Os amigos eram todos de classe média alta, já tinham ido pra Nova York, e sempre me traziam zines de fora. A gente fazia um zine xerocado, sabe? Não ganhei dinheiro mas ganhei muitos amigos (risos). O livro é um sonho – diz.

Em seus desenhos, mistura o personagem que inspirado no Geleia de “Caça-Fantasmas” aos amigos, como no painel aí de cima, no muro da Hípica, no Jardim Botânico, “inspirado no lado masculino de manter um lado infantil. Os homens que não têm lado infantil são os caras mais chatos que eu conheço”.

Com edição independente, design de Marcelus Viana e textos dele próprio e de Kimaid, “Toz – Traço e trajetória” tem formato de landscape e tratamento caprichado. Indispensável para os amantes da arte urbana.

 

Comentários