Ir para conteúdo

RIOetc entrevista Liana Brazil

Fotos:
|
Texto: RIOetc

Fotos: Juliana Rocha

[Carolina Isabel Novaes]

Quando ouvimos falar da SuperUber, a primeira ideia que vem é: iluminação. Fachadas com projeções, como aquela da Igreja de Santa Rita, no Rio, e algumas vagas lembranças do finado Tim Festival. Aí lembramos da projeção interativa Beco das Palavras, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. E vem à cabeça: esse povo é maravilhosamente doido.

Difícil definir a SuperUber; ela consegue tornar imagens imateriais em materiais. Ou quase. Às vezes dá a impressão que está quase descobrindo o teletransporte. Mas, em semana de moda, vamos dar um exemplo do que ela faz: projeção no desfile da Kenzo, em Paris. A empresa – “ateliê criativo, laboratório de tecnologia e estúdio de arquitetura” – gosta de experimentar, de realizar projetos, desde o começo. É dela o cenário e a direção de tecnologia de uma apresentação da Beyoncé nas Nações Unidas, em Nova York. A equipe fez tudo: montou a estrutura, a parte técnica, a motion picture. Projeção para o lançamento da marca dos Jogos Olímpicos 2016? Ela fez. Cenário do SporTV? Ahã.

Há cinco meses, esta fábrica de ideias se instalou na Gamboa. Liana Brazil, que é sócia da SuperUber ao lado do marido Russ Rive, conta que há dois anos o prédio foi comprado e, desde então, passou por reformas.

– Eu não tinha dúvida de que essa área iria se valorizar. Até Buenos Aires revitalizou a zona portuária, por que não conseguiríamos? Estamos apaixonados pela Gamboa. Aqui é cidade do interior, uma delícia. Eu tomo sorvete de milho verde, do Sol da Praia.

O prédio fica em frente ao batalhão de polícia, colado ao Morro da Saúde e com vista para o Moinho Fluminense. A arquitetura, reformada, lembra Bauhaus. Paredes brancas, pé direito triplo, estruturas aparentes. No fundo do terreno existe um pátio que, sem dúvida, tem vocação para festas. No fim do ano passado, fizeram ali uma comemoração pós exposição no MAM de Luiz Zerbini, Cabelo e Raul Mourão. Foi sucesso. No carnaval deste ano, outra festa, a High Noon. A Nike também já fez evento lá e por aí vai – rola uma fila de pedidos para festas.

–  Eu pensei: ‘Peraí, o nosso negócio é outro’, mas o espaço tem essa vocação. A gente já até chamou a Dona Jura, do Morro da Providência, para fazer nhoque de camarão. E o som do pátio é maravilhoso, naturalmente a rocha do Morro forma uma concha acústica.

O prédio tem até cozinha industrial, com mesão de peroba do campo e geladeiras pretas, flor de sal e Limoncello na despensa, a postos. Tem, ainda, quartos, porque a ideia é receber artistas de outros lugares para um intercâmbio na SuperUber – trazer talentos cutting edge. O clima é de experimentação e o ambiente, de Berlim.

– A nossa forma de trabalhar é ter uma visão horizontal do processo. Somos multidisciplinados, juntamos arte, design, arquitetura, tecnologia. Queremos realizar também exposições no nosso espaço, pelo menos uma por ano.

Nos dois últimos meses, um grupo de estudo colaborativo participou de um projeto que une dança, projeção, música, performance. De maneira simplória, é algo tipo: vamos ver que projeções alcançamos conforme a dançarina vai se mexendo ao som da música ao vivo. Incrível. Amanhã, dia 18, o grupo vai apresentar o resultado. Com festa, claro, na Gamboa.

 

 

 

 

Comentários