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RIOetc entrevista: Capitolina

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Texto: RIOetc

[Francesca Leta]

Quando era mais nova não costumava me questionar sobre as matérias que revistas para adolescentes apresentavam, pra mim era aquilo ali e ponto. Hoje, consigo escolher o que leio e filtrar o que acho ou não relevante. Foi com esse pensamento que surgiu em 2014, a Capitolina – uma revista independente para garotas adolescentes, feito por elas mesmas, trazendo temas variados.

A revista online tem como objetivo representar todas as jovens, mostrando que elas podem crescer da maneira que são. Ou seja, que podemos sim ignorar os moldes tradicionais que a sociedade nos impõe – não só quando adolescentes, diga-se de passagem. Além disso, assuntos que tínhamos vergonha de tratar com nossos pais também estão por lá.

No total, são 120 colaboradoras, espalhadas por todo o mundo. São elas que escrevem as matérias, decidem os tópicos, revisam e publicam. A diversidade e sede por atingir diferentes públicos pode ser vista a partir daí: há meninas de todos os  tipos compondo essa comunidade. Conversamos com duas delas, Bia Quadros e Lola Ferreira – as duas em seus 20 e poucos anos.

“Toda coluna do site tem um grupo no Facebook. Com um mês de antecedência, fazemos uma votação para escolher o tema mensal. A partir daí, abrimos outra discussão para as pautas. São, em média, 20 pautas por mês”, conta Bia, que é coordenadora da área de música, ilustradora e também participa da coluna “Relacionamento e Sexo”.

Além do tema mensal, a revista fica de olho nos assuntos que estão em alta no momento. É ai que entram as colunas semanais. ”Analisamos o que o público mais procura em nosso site e buscamos uma nova forma de abordar. Virgindade é um dos mais acessados, sempre”, conta Lola, que é revisora e cuidada das redes sociais. Algumas das colunas são: saúde, estilo, DIY, games, ilustração e etc. “Nossa maior luta é pela liberdade do conteúdo. São temas necessários para qualquer adolescente”, afirma Bia.

“A revista tornou-se uma grande comunidade, composta apenas por mulheres”, conta Lola. O público alvo tem de 17 a 24 anos e é, em sua maioria, feminino. “Acredito que uma das formas de conquistarmos o público é utilizar linguagem fácil e acessível. Por exemplo, se há algum termo em inglês, sempre traduzimos e explicamos.” O fato de sempre estarem abertas para conversar com as leitoras, ajuda no compartilhamento das matérias.

Aos poucos, as meninas conseguem influenciar grandes meios de comunicação, e toda forma de difundir é bem vinda. “Se apenas uma pessoa ler e aquilo fizer com que ela pense sobre o assunto, pra mim já é uma vitória”, conta Lola. A ideia é acolher as leitoras e mostrar que a causa feminista não é uma moda, é um movimento que vem desde os anos 20 e precisa tomar – cada vez mais – forças!

A revista é majoritariamente online, mas em setembro do ano passado lançaram na Bienal seu primeiro livro – disponível aqui. Lola e Bia nos sugeriram alguns textos que comoveram/causaram polêmica/elas amam/vale a pena ler. Aí vão eles: sobre relacionamento com homens mais velhos, sobre relações livres e a cor dos outros. Vale cada parágrafo da leitura semanal!

Fotos: Juliana Rocha

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