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RIOetc entrevista BRUNO DRUMMOND

Fotos:
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Texto: RIOetc
Bruno Drummond em auto-retrato
Salve, salve! Hoje a nossa seção “RIOetc entrevista” tem a honra de receber Bruno Drummond, craque do cartum revelado há cinco anos pelas páginas da revista do Globo, onde publica a tirinha “Gente Fina”. Niteroiense de 36 anos, ele é formado em Design pela Escola de Belas-Artes da UFRJ e já fez mestrado em Antropologia da Arte, também pela EBA. Por seu trabalho, dá pra ver que ele é mesmo uma espécie de antropólogo – você vai perceber na entrevista que o Bruno é bem mais que o “desenhinho bonito” da auto-caricatura aí de cima. Sua missão, como ele define, é “resgatar a tradição do desenho como registro do cotidiano”, algo que se perdeu depois da invenção da fotografia. Como o RIOetc, ele observa as pessoas nas ruas e lhes dá nova vida nas páginas da revista. A gente é fã!
O “gente fina” é o típico carioca, uma caricatura ou as duas coisas?
Não, o “Gente Fina” não é o típico carioca. O “Gente Fina” é um “tipo” de carioca. Na verdade, espero que o cartum retrate vários tipos de cariocas possiveis de reconhecimento pelo leitor. O cartum é, na essência, uma crítica coletiva a partir de um sujeito singular.
Seus personagens são cínicos e caras-de-pau. Quais são suas fontes de inspiração?
A maior inspiração é sempre o prazo… Fora isso, procuro inspiração em jornais, livros, musicas, peças, na internet e em conversas (particulares ou alheias)… Um bom passeio pela cidade sempre ajuda muito.
O humor carioca é diferente do resto do país?
Não sei, uma vez me perguntaram se eu achava que o humor era regional ou universal e eu disse que, para mim, o humor é pessoal. O que é engraçado pra mim pode não ser para outra pessoa. A resposta continua valendo. Meus cartuns são comentários pessoais a partir de observações do cotidiano, e o meu cotidiano está na cidade e na classe média. Portanto, devem refletir isso.

É impressionante o nível de detalhamento dos figurinos dos personagens. Você se interessa por moda? Como se mantém atualizado?
Não tenho um interesse específico por moda. Me interesso por gente e o modo de se vestir faz parte do comportamento das pessoas.
Desde o começo da coluna, há 5 anos, um dos meus objetivos era resgatar a tradição do desenho como registro do cotidiano, característica comum nos cartuns do início do século XX e que se perdeu com o uso da fotografia. O que é uma pena, pois são registros complementares e diferentes [comentário nosso: A gente também se sente, com o blog, fazendo isso de alguma maneira!].
Para isso, faço diversos tipos de pesquisa. Desde fotos de revistas e sites a desenhos de observação das pessoas nas ruas. Tenho alguns cadernos de referências que são constantemente consultados na criação dos tipos.

Uma página da Moleskine do Bruno

Quais suas referências no cartum, aqui e lá fora?
Já disseram (e se não disseram, eu digo) que a escola de um cartunista são suas referências. Portanto, os meus principais “professores” foram ( sem qualquer ordem ou sentido): J.Carlos, Willey, Alceu Penna, Quino, Bill Watterson, Laerte, Angeli, Verissimo, Posy Simmonds, Frank Cho…
Alguém já reclamou de uma piada sua? Você já se arrependeu de ter feito alguma?
Alguém sempre vai se sentir ofendido com alguma coisa. Existe uma frase do Robert Mankoff (editor de cartoons da New Yorker) que é definitiva: “Anything can be funny, but nothing is funny to everybody” [a gente traduz livremente: “Tudo pode ser engraçado, mas nada é engraçado para todo mundo”].
Nunca me arrependi de mandar um cartum. Mas várias vezes quis mudar algum detalhe do texto com a revista a caminho da gráfica. Algumas vezes consegui, outras não.
E na vida real, fora das tirinhas, você se considera um cara engraçado?
Não. Sou um péssimo contador de piadas, por exemplo. Mas sou um cara bem humorado, o que é bem diferente.
E gente fina?
“Gente Fina” somos todos nós.

 

E a tirinha publicada no último domingo!

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