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Oi, galera do surfe: lancem seus projetos!

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

Saquarema, palco da última edição do Oi Rio Pro – etapa brasileira da World Surf League – é desde os anos 70 a meca dos surfistas brasileiros. E agora, toda a Região dos Lagos vai se beneficiar de um programa de aceleração de projetos esportivos que trabalham com o surfe.  Unindo a capacidade de inovação da Oi e o braço de gestão do Instituto Ekloos, acaba de ser lançado um edital para fomentar até cinco projetos que serão desenvolvidos ao longo de nove meses de trabalho. De escolinhas de surfe a aplicativos, qualquer ideia é bem-vinda para promover a região através do esporte.

Andréa Gomides, fundadora do Instituto Ekloos, que já morou na região, vibra ao dar a notícia: “assim como a cultura, o esporte é um meio de sociabilização muito importante para os jovens, e a tecnologia pode ser uma forte aliada no desenvolvimento de várias frentes, como a técnica dos atletas, a gestão do esporte e até mesmo o impacto que isso terá na cidade ao redor”.

Ela sabe do que está falando. Primeiro, porque o instituto trabalha há dez anos com gestão de organizações sem fins lucrativos e com as áreas de Responsabilidade Social de empresas, beneficiando centenas de projetos na área social desde então. Depois, porque aos 13 anos a fundadora do Ekloos foi, ela mesma, uma improvável campeã que se viu forçada a abandonar o esporte. Andréa pouco sabia sobre surfe ou qualquer outro esporte aquático, mas ao topar participar de uma competição de caiaque, nunca imaginaria que passaria da primeira fase, muito menos que sairia de lá com o primeiro lugar, desbancando inclusive atletas americanas e australianas. Na cerimônia de premiação, quando o locutor a perguntou há quanto tempo praticava o esporte, a resposta fez a plateia inteira cair no riso: “ontem foi a primeira vez”.

Com o apoio do pai, Andréa migrou para o windsurfe mas, aos 16 anos, ao mudar-se para Niterói, acabou abandonando o esporte. O Brasil perdeu uma potencial campeã, mas a faculdade de Ciências da Computação ganhou uma aluna aplicada. Formada, trabalhou por 14 anos na HP, até chegar ao cargo de diretora de vendas indiretas da Microsoft – o emprego dos sonhos de qualquer estudante de tecnologia. Mesmo deixando os esportes de lado, Andréa nunca abandonou outro grande prazer, que era o envolvimento em projetos sociais: “Todo final de semana eu fazia trabalho voluntário numa comunidade do Bairro do Limão, em São Paulo, e durante a semana eu frequentava um mundo totalmente oposto ao que eu vivia, não só pelos salários, mas pelo ambiente total corporativo. No final de semana eu ia à casa de uma pessoa que era menor que a sala em que eu trabalhava, e lá viviam seis ou sete pessoas”.

Por coincidência ou destino, ela acabou se deparando com o livro “Saí da Microsoft para mudar o mundo”, de John Wood, que conta a história de um ex-executivo da empresa que decidiu fundar uma ONG. Ao mesmo tempo, foi convidada a participar da gestão da organização para a qual colaborava. Apesar da movimentação financeira bem relevante, a entidade tinha poucas pessoas especializadas para gerir o negócio, o que fez a ex-diretora se questionar se esse era um problema recorrente entre as iniciativas sociais. Após uma temporada na Europa, para estudar modelos de gestão, voltou para o Rio de vez em 2007 e fundou o Instituto Ekloos, que atualmente funciona como uma aceleradora social que identifica iniciativas que precisam de apoio na gestão, para inovarem e ampliarem o impacto social gerado.

O novo edital do instituto, em parceria com a Oi, retoma a história de Andréa com o esporte e a Região dos Lagos e, através do projeto, pretende dar espaço para outros atletas se desenvolverem. Até o dia 1º de julho, iniciativas vindas de ONGs, empresas com projetos sociais, associações de surfe locais, moradores da região como donos de escolinha ou até pessoas de outras cidades que pretendem investir no local (Araruama, Arraial do Cabo, Búzios, Cabo Frio e Saquarema) podem se inscrever através do link: http://www.ekloos.org/editaloisurfepara concorrer à chance de ampliar seu impacto social por meio do conhecimento técnico do Instituto Ekloos e com  o apoio da Oi. Ano após ano, aliando a iniciativa à visibilidade da competição do circuito mundial de surfe, o legado para o local será cada vez mais visível.

“Quando a gente entrou em Saquarema, fiquei impressionada de ver empresas locais dando boas-vindas aos atletas. Empresas pequenas, numa cidade pequena, que investiram em outdoor. Então aí eu vi que tinha um impacto, porque ninguém vai gastar dinheiro e ligar seu empreendimento a um evento à toa”, conta, sobre a última edição do Oi Rio Pro, que aconteceu entre os dias 11 e 19 de maio. Sobre o resultado da parceria, Andréa não poderia ser mais otimista: “A gente já começou a mudar a cabeça das pessoas ali só em você conversar e perguntar: não tem nenhuma ação social aqui? Com esse mar?”

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