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O artista Rafael Bandeira está em obras

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Bruna Velon]

Concreto e abstrato. Preto e branco e colorido. Plano e 3D. Zona Norte e África. Som e silêncio. A criatividade de Rafael Bandeira – designer e futuro aluno de escultura da EAV Parque Lage – , não é disso ou aquilo. É disso e daquilo e, quem sabe, daquilo outro também. Mas se engana quem pensa que esse processo se dá de forma desordenada e desproposital. Ele sabe muito bem para onde vai com a certeza de quem sabe muito bem de onde veio.

¨Meus trabalhos dialogam com a arquitetura, então quero devolver para cidade tudo que recebo dela. Comecei a fazer grafite em 2008, mas estou num momento de transição, precisando sair da zona de conforto. Faço telas, colagens, quero estudar, fazer esculturas, 3D, construir, colocar a mão na massa e repensar tudo o que está sendo feito. Por isso, estou fechado para obras¨, revela rodeado de quadros, maquetes, latas de spray, ferramentas e instrumentos musicais em seu ateliê no Grajaú, onde foram feitas as fotos acima.

Bandeira é um cara família e a sensibilidade artística vem de berço. Quando criança, no subúrbio carioca, seu tio participava de dois blocos de carnaval. “Era mágico ver o samba sendo feito na rua, a festa, tudo brilhava. Foi meu primeiro contato com a arte”, relembra. Logo, observava os trabalhos de seu pai, arquiteto e pintor de quadros. ¨Eu queria desenhar o que via ao meu redor, os bate-bolas, as cores, as formas geométricas das maquetes, brincar com colagens¨. O apreço pela música também é de criação. Na casa de sua bisavó, no Grajaú, aconteciam saraus que, segundo os relatos de família, contavam com a presença até de Noel Rosa. O local, que permaneceu fechado por 40 anos, continua vivendo de arte. É lá onde agora funciona seu ateliê.

De lá, além de obras de arte, saem ideias para capas de discos, cenários de shows e os simpáticos Minimestres. Em breve, suas formas abstratas estarão no novo clipe da canção Black Woman, do nigeriano Seun Kutti, gravado aqui no Rio. E, a partir de hoje (19) até 22 de março, ele e o coletivo NAVIU, do qual faz parte, realizam o projeto Espelho da Rua, na Caixa Cultural, junto com os amigos do SerHurbano. Eles vão oferecer oficina para quem quiser participar da obra, ensinando como preparar os materiais (estêncils, adesivos etc) para, no sábado e domingo, fazer a pintura coletiva. É de graça mas, para participar, é só se inscrever através do email [email protected]

Mas, voltando ao assunto família, não dá pra falar do Bandeira sem falar da sua principal obra de arte, a Flora, que já é mini-musa dos fotógrafos do RIOetc, olha só!

Fotos: Tiago Petrik

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