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No ArtRua 2013: Chivitz

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

Em 1996, aos 17 anos, o jovem Chivitz – esse é o nome dele, nem adianta perguntar pelo que está na certidão de nascimento – começou a ganhar a vida como tatuador. Nos 12 anos seguintes, viria das agulhas e tintas sua principal fonte de sustento. “Era uma maneira de ganhar uma grana fazendo arte”, explica. Foi mais ou menos nessa época que Chivitz começou a usar latinhas de spray para colorir os muros de São Paulo, sua cidade natal. Pura diversão. “Naqueles tempos, grafiteiro não pensava em ganhar dinheiro”.

Em 2006, a mão começou a se inverter. “O que era hobby virou profissão e vice-versa. Parei de tatuar profissionalmente”, conta o artista. Seu trabalho, influenciado desde sempre pelo cartoon (“minha geração cresceu vendo desenho animado”), também agregou a vivência como tatuador e as eternas referências do skate e da cultura hip hop, tão ligadas à rua. Seus personagens em certa medida lembram o próprio autor: “São magrinhos como eu”.

Chivitz é de uma época em que o grafiteiro era discriminado nas ruas. “Apesar de existir uma velha escola antes da minha geração, grafitar ainda era marginal. Na primeira vez em que fui fazer um rolê tomei um enquadro da polícia. Cheguei a apanhar na frente da minha mina”, conta o paulistano.

Foi numa situação dessas que nasceu o grande projeto de Chivitz. Um dia, 16 amigos se juntaram para colorir um trecho de pilastras do metrô, da estação Armênia à estação Santana. Mas a polícia também apareceu. Como 5 dos artistas já tinham passagens por delegacias – todos por causa do grafite –, “camuflamos, e só 11 foram pra DP”. O assunto virou capa do UOL. Depois, um repórter da Folha de S. Paulo apareceu. Virou matéria. Todo mundo compartilhou na internet. Os artistas ganharam a simpatia geral, inclusive da Secretaria Estadual de Cultura. E depois de um ano de negociação, com Chivitz e Binho (outro dos detidos) à frente, foi inaugurado em 2011 o MAAU – Museu Aberto de Arte Urbana, com 77 painéis pintados pelos ex-“marginais”. “Agora o que temos lá são consideradas obras de arte”, orgulha-se Chivitz.

Ele e sua “mina” – Minhau, que vamos apresentar aqui amanhã – estão entre as atrações do ArtRua, evento paralelo ao ArtRio, que acontece de 5 a 8 de setembro, na Vila Olímpica da Gamboa.

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