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No ArtRua 2013: Henrique Madeira

Fotos:
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Texto: RIOetc

Foto: Tiago Petrik

[Manu Porto]

Fotógrafo, fotodocumentarista de arte urbana, especialista em lightpainting e um dos representantes da técnica no Brasil, além de ser o único que expõe esse trabalho em galerias por aqui. Esse é um resumo do currículo respeitável de Henrique Madeira, nosso primeiro personagem do ArtRua 2013 – algumas fotos suas estarão expostas num vagão estacionado no palco do evento (que acontece de 5 a 8 de setembro, na Vila Olímpica da Gamboa).

Pra quem não conhece lightpainting, esta é a técnica de “pintar” com luz, usando a baixa velocidade de exposição pra registrar o desenho criado com o auxílio de uma lanterna. Henrique teve seu primeiro contato com a técnica meio sem querer, quando colocou sua câmera na frente de um carro, o que resultou em um efeito luminoso meio louco. Desde então passou a pesquisar e se aprofundar na linguagem, até se transformar em uma referência no campo.

No início, a estética parecia se encaixar bem nas coberturas de festas – trabalho que fazia muito – ainda mais com a influência da galera do I Hate Flash, que já abusava das luzes nos seus registros. Mas ele queria ir além e introduzir o lightpainting na sua especialidade: documentar fotograficamente a arte urbana da cidade.

As ruas sempre foram o cenário de Henrique, e a arte urbana passava a verdade em que ele acreditava. Sua estética fotográfica foi toda desenvolvida em cima do olhar sobre o grafite, as necessidades dos artistas e do processo. E nesse tempo, conheceu Marko, artista de lightpainting francês que também tinha um trabalho fortemente relacionado à street art. E foi com essa conexão que soube o caminho que devia trilhar. Com a técnica e o olhar amadurecido, Madeira (como é conhecido pela galera) voou mais alto e inseriu suas obras dentro das galerias. A busca permanente pelo diferente, por novidades e novos olhares no próprio trabalho se juntou com a maior dificuldade da técnica: o lightpainting não existe fisicamente, e qualquer erro no processo não pode ser consertado, tudo tem que começar do zero novamente –  e isso tornou o desafio estimulante. Hoje, trabalhos como a capa do CD do Baia e o projeto Self Portrait já contabilizam alguns projetos de sucesso.

Atualmente seu trabalho é muito influenciado por Martha Cooper e, junto com os fotógrafos Clarissa Piveta, Felipe Diniz e Ratão Diniz, forma o quadrado mais representativo na fotodocumentação da arte de rua. Nesse ano, participa do ArtRua com uma exposição de fotos que documentam a trajetória do evento desde 2011 – sua primeira edição -, passando por Miami, no ano passado, até hoje.

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