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Muito prazer, Min

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: Tiago Petrik

Um dos objetivos da loja do RIOetc é ser uma plataforma de lançamento de novos criadores. E a Min é a primeira marca a fazer sua estreia oficial no nosso endereço do Largo dos Leões. Ela fica aqui até a próxima segunda-feira, apenas para dar um gostinho do que vem por aí nos próximos meses. Está sumindo aos poucos das araras, não sem motivos. Vale a pena conhecer a trajetória e o conceito de seu criador, Paulo Luz, para entender as razões.

Ele formou-se designer gráfico pela PUC-Rio. Como bom desenhista, começou a flertar com a estamparia, e assim foi parar na Armadillo, criando camisetas. Pouco depois, passou a dar palpites na modelagem, o que lhe valeu a transferência para o setor de Estilo da marca. E logo em seguida resolveu criar a sua própria, chamada Pluz Brasil, de  temática nacional.

Selecionado como um dos novos talentos para o desfile do Rio Moda Hype em 2007 (viriam outros dois desfiles depois), fez uma homenagem a Chico Science. Ganhou com isso o prêmio de melhor daquela edição, e de quebra uma pós no Senai Cetiqt, que o ajudou a conhecer mais de técnica. “Mas percebi que só conceito não ia me sustentar. Não se vive de prêmio de design, mas de moda, sim”, diz.

Um anúncio no caderno Ela o levou para a Richards. De Ricardo Ferreira, dono da marca, ouviu elogios ao trabalho, mas também uma advertência: “Muito bonito, mas você não vai fazer nada disso aqui. A gente faz roupa de verdade, para as pessoas usarem˜.

Paulo entendeu o recado. “A Richards foi minha maior escola”, reconhece. Ficou lá quatro anos e passou por todos os tipos de produto. A última etapa foi a alfaiataria. Isso o motivou a ir para Londres, em 2014, onde cursou um mestrado na London College of Fashion. O tema de seu estudo foi “alfaiataria tropical”. O linho entrou em sua vida para não sair mais. “É o melhor material para o calor”, explica.

Na volta ao Rio, conseguiu emprego em marcas mais comerciais, onde não conseguiu propor muito. Foi a deixa para a concepção da Min – o nome vem de minimalista, conceito visível imediatamente. Todas as peças são produzidas em fibras naturais, proporcionando frescor e sem deixar tantos resíduos no meio ambiente. Paulo hoje trabalha apenas com preto, branco e cru para focar em modelagem, materiais e acabamentos. A composição das peças é basicamente linho e viscose. Ou uma mistura delas. A viscose é feita da fibra da celulose, portanto ainda tem bom “respiro”. A mistura do linho com viscose faz amassar menos e melhora o caimento. “Peças atemporais não tem prazo de validade, e  hoje acredito ter resolvido o equilíbrio entre conceito, desejo e venda”, avalia.

Depois da estada temporária na loja do RIOetc, a Min vai desembarcando aos poucos mundo afora. A coleção atual, de 20 referências – que não tem nome, e sequer ele considera uma coleção, São peças casuais, confortáveis que proporcionem bem estar.

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