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Muito Prazer, Liliane Taira

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Juliana Rocha
[Fernanda Cintra]

Seja bem-vindo. A casa que recebe essa entrevista nos acolhe como um abraço desde a entrada, quando somos recebidos pela mascote-vira-lata Foxy e pelas orquídeas do jardim. A trilha é “No Man’s Land“, do Balkon Beat Box. Liliane Taira, 37 anos, é quem comanda o espaço, que é um pouco templo budista e um pouco casinha de interior. Coisa de quem tem pai cearense e mãe japonesa; de quem gosta ao mesmo tempo de indie rock e baile charme. É ela quem também coordena a Mocha (fala-se “Môca”), marca novíssima no pedaço, ainda sem ponto de venda no Rio, mas já cheia de boas intenções.

Lily, engenheira por formação, é na essência uma realizadora, capaz de enxergar o negócio por inteiro, da tag menorzinha à produção de um lookbook, passando pelas contas que devem fechar no fim do mês. O lema é entrar na chuva pra se molhar bonito, coisa que a moça aí da foto parece fazer muito bem. A alma da Mocha está na proximidade com as pessoas – não à toa, a casa que nos recebe é tão viva. Para adquirir experiência no fechamento de peças, Lily criou uma facção dentro de casa, que trabalhava para outras marcas. Assim que a viabilidade do QG-confecção foi comprovada, quis levar adiante a relação com as costureiras, hoje claramente baseada em valores como respeito, dignidade e afeto. A própria Lily abdicou de uma vida de executiva para passar mais tempo com a filhota, Roberta, porque sabe que o café da manhã em família não tem preço. No fim das contas, parece uma delícia todo mundo misturado e satisfeito, seja na hora da yoga ou do cafezinho.

A alguns cliques de distância, você vê toda a trupe reunida: Ana, Dona Jô, Meire, Fátima, Joanice, Alex, Renato, Hilma, Angela, e claro, as inseparáveis Foxy e Lily. Só faltou a Martha, tímida toda vida, que não quis sair na foto. Já Fátima, costureira e cearense, não hesita em nos contar: “Essa é uma roupa artesanal, minha filha, a gente faz etapa por etapa, olha cada costura”. Ô, Fátima, a gente logo vê esse capricho todo. Esse trato pessoal-afetivo, de quem participa do processo de uma marca por inteiro, dá uma força poderosa ao produto final. Duas costureiras, por sinal, estavam presentes na produção do primeiro lookbook da marca, e Lily relembra com o maior sorriso a emoção das meninas ao se reconhecerem naquele produto. Daí foi um passo pra todo mundo se arrepiar e soltar suspiros de “tá lindo!”. No próximo photoshoot já está decidido, todo mundo vai. Clica aqui pra conferir o resultado e se encantar também com a fotografia de Daniel Mattar, stying de Bebel Moraes, beleza de Vini Kilesse e Fabi Meyer modelando. Ou seja: a Mocha não está de brincadeira .

É justamente essa ponte entre produção e criação, capaz de legitimar a inteligência e criatividade de todos os envolvidos na construção das peças que faz da Mocha especial. E aproveitando o gancho, é importante lembrar que Lily não está sozinha nisso tudo. Foi jogando squash que ela conheceu sua equipe, ou pelo menos parte dela. Atualmente, ela conta com as meninas da Benta Studio, Gabriela Garcia e Maitê Lacerda, cuidando sobretudo do branding e do belo trabalho de estamparia; enquanto a estilista Ana Voss cuida com carinho da coleção em si. O nome “Mocha” foi escolhido pela sonoridade naturalmente cheirosa e aconchegante, delicada, elegante, como qualquer modelo da marca. Como um bom café, que quanto mais simples melhor, a ideia do quarteto é livrar a roupa de grandes excessos, de forma que a seda, de primeira, e o acabamento, impecável, possam existir.

Taí, minimalismo é palavra-chave. Mas sem generalizar, podemos dizer que é um “mínimo” bem carioca, com direito a uma cartela de cor bem feita, mix de estampas e ahhh, tênis-espadrilles! <3 É que Lily, apesar da formação em exatas, tem todo um lado charmoso-filosófico que faz questão de pensar o belo, aquilo que nos eleva e que não conseguimos nomear de forma racional. Esse mood asiático que norteia sua vida pede um entorno de beleza e altivez que diz em alto e bom som: “isso me identifica, isso me dá prazer”. Assim, a Mocha vem calminha, calminha, na contramão desse consumo desenfreado, propondo uma intenção ética e um discurso coeso, pautados por valores reais, e mais do que nunca, atuais.

E o futuro? Por enquanto, a ideia é pensar somente no presente, no melhor estilo ‘carpe diem’, afinal, há cerca de um ano Lily não fazia sequer ideia de que a Mocha existiria. A coleção já está à venda na multimarcas paulistana Cartel 011, e Lily programa um superlançamento na Cidade Maravilhosa para o início do próximo mês. Mas quanto ao futuro das roupas, ah, essas sim, são pra sempre.

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