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Muito Prazer, Clube Orgânico!

Fotos:
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Texto: RIOetc
 [Fotos e texto por Juliana Rocha]

Todo mundo já entendeu que agrotóxico não é legal e que os transgênicos são uma ameaça para a diversidade genética dos vegetais. Enquanto feiras orgânicas, como a Junta Local, se multiplicam (graças!) e o povo se desdobra pra construir hortas urbanas em microapartamentos, dois amigos adaptaram ideias existentes e encontraram um caminho que possibilita que você cuide da saúde e da sociedade ao mesmo tempo.

A ideia foi unir consumidores e produtores num clube – o Clube Orgânico. Nós, do lado de cá, nos associamos e garantimos a segurança de um ano de produção. O pagamento é mensal e as cestas, semanais. São 15 itens variados entre raízes, temperos e frutas, que demoram o tempo recorde de 24 horas pra chegar ao seu destino. No mercado tradicional, a cebola, por exemplo, pode demorar até um ano (!!!) pra ser consumida.

O objetivo dos idealizadores, Victor Piranda e Eduardo Boorhem, é democratizar o acesso aos alimentos orgânicos no Rio, garantindo uma remuneração justa ao produtor. Eles, que foram amigos de infância e se reencontraram no curso de publicidade da PUC, só viraram sócios depois de muitos encontros em mesas de bar para discutir ideias (Antônia Canto, que também aparece nas fotos acima, é a responsável pelo Marketing do clube).

O projeto começou com um piloto, através de uma plataforma de financiamento coletivo. Quatro mil reais depois, uma horta coletiva foi desenvolvida em Itaipava, em setembro de 2014, produzindo cerca de 40 tipos de alimentos. Eles se envolveram em todas as etapas da produção, desde o transporte das mudas, até os problemas causados por falta d’agua e incêndios.

Nesse momento o Clube Orgânico foi inscrito no laboratório de startups Shell Iniciativa Jovem, que busca desenvolver empresas com soluções criativas e sustentáveis. Eles ficaram em segundo lugar, entre os 80 selecionados, o que foi mais uma indicação de que eles estavam no caminho certo.

Seis meses dessa primeira experiência e eles entenderam que, sim, o modelo funcionava. Então abriram uma inscrição para entender a demanda e o resultado foram duas mil pessoas cadastradas por todo o estado. Como não era possível começar atendendo todo mundo, o Clube iniciou seu funcionamento em abril, com cem sócios, distribuídos entre Grajaú, Vila Isabel, na zona norte, Barra, na zona oeste, Botafogo e Humaitá, na zona sul.

Hoje, a matrícula custa R$100 e a mensalidade de R$250. Eles calculam que os produtos saem 30% mais baratos que os orgânicos de mercados e hortifrutis. Além da entrega semanal em casa, existem centros de distribuição para quem não mora nos bairros selecionados. A previsão é ampliar o serviço em junho e julho, com pontos que podem até ser casas de associados – se você tem um espaço legal e acha que seus vizinhos ficariam felizes com essa ideia, let them know! O objetivo disso é, além de facilitar a logística de distribuição, gerar um senso participativo, movimentando nossa sensação de comunidade, mesmo.

E essa teia unindo as pessoas começa lá no campo. A produção hoje é em Nova Friburgo e o agricultor responsável, David, começou a envolver toda a comunidade na produção de orgânicos e aos poucos eles vão entrando no projeto. O sítio está aberto à visitação e eles planejam uma excursão pra apresentar todo mundo envolvido.

Eles contam – emocionados – que aos poucos estão vendo uma transformação social possível. Nesse caso, valorizando o conhecimento do campo através de uma economia colaborativa. Sustentabilidade é exatamente isso, né? Repensar nossa existência e se (re)conectar com as pessoas e com a natureza de uma forma mais justa para todos.

Curte a fanpage do Clube Orgânico e fica ligado que logo vai chegar a tua hora de entrar nessa. <3

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