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Muito além do Forró

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Juliana Rocha

[Vivian Melchior]

O ano era 2008. O cenário, a Rua do Mercado. E o forró, conhecido por durar até o dia raiar – “Forró Pirata”, como chamavam. Para fugir da burocracia de alvarás, o forró no Centro (a essa hora deserto) começava à uma e meia da manhã e não tinha hora pra acabar.

Criado por iniciativa dos músicos Kiko Horta (sanfona), Ivan Machado (baixo), Luiz Flavio Alcofra (violão) e Rodrigo Scofield (bateria), o som se transformou no tradicional “Forró da rua do Mercado”. Tocavam toda quinta em um sobrado já conhecido pelas ocupações culturais que abrigava no Centro. A rua também já era velha conhecida dos artistas: eles participavam do Cordão do Boitatá, cuja concentração é naquele mesmo ponto. Naquela época não havia a facilidade do Facebook ou a rapidez do Whatsapp pra chamar a galera. Era tudo no boca a boca. O forró passou a ser referência para amigos que sabiam que se esbarrariam por lá . “A característica era ser um ponto de encontro, o lugar de tomar a ‘saideira’ e curtir um ambiente intimista”, contam.

A casa acabou sendo vendida e o grupo parou por um ano e meio. Voltaram em uma nova formação, agora com a Maju Nunes na voz, Alexandre Maionese na flauta, Jovi Joviano na percussão e Sidão Santos no baixo. No ano passado migraram para o Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes, onde vêm tocando desde então.

Fiel à musica de qualidade, o público logo voltou para prestigiar as apresentações do Forró do Kiko, cujas referências continuam sendo a boa e velha cultura musical brasileira. Mais do que um grupo de forró, eles se declaram um conjunto de músicos instrumentais, ligados à tradição de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e outros mestres. Isso porque seu estilo musical vai muito além do forró – são versáteis, cheios de conceito e adoram uma improvisação.  Para se ter uma ideia, o clima, a qualidade e a disposição da galera é mais ou menos esse: uma vez estavam tocando uma canja quando, de repente, aparece o Yamandu Costa para compor o conjunto com sua guitarra!

O Forró do Kiko toca o ano inteiro e eles estão a cada dia com mais trabalhos marcados. Nessa época de festa junina, então,  é só alegria para os nossos corações. A banda é composta por gente com muita história e diferentes origens musicais, e essas referências vão sendo incorporadas às apresentações. “Podemos até tocar em um festival de Jazz, não somos restritos aos circuitos de forró. Com músicos qualificados, acabamos atraindo um público que gosta de música, antes de tudo”, conta Kiko. Não é a toa que no carnaval uma parte deles também anima a cidade tocando no cordão do Boitatá.

No dia 4 de julho o grupo vai tocar no Circo Voador, no lançamento do disco “Duas Sanfonas e uma Orquestra”, da Orquestra de Sopros da ProArte. Já para os amantes de festas juninas, a dica é o Arraiá do Forró do Kiko, que vai rolar dia 16 (pode deixar que assim que sair o evento, divulgaremos na nossa agenda!). Ah, e como eles não param, dia 24 também vão gravar seu primeiro EP digital.

Fica o convite não só para quem gosta de forró mas, sobretudo, para quem curte música de qualidade com respeito às raízes culturais brasileiras. Seja carnaval, seja São João, eles seguirão embalando todos os lugares por onde passam – as fotos que ilustram este post, por exemplo, foram recheadas de música entre um clique e outro. Danado de bom.

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