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Kobra, um recordista no Porto

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Tiago Petrik

[Bruna Velon]

O primeiro recorde mundial do Brasil nestas Olimpíadas não é de um atleta. É do artista Eduardo Kobra, que há anos vem treinando com afinco em muros superlativos de países como EUA, Japão, Rússia e Suécia. Às vésperas dos jogos, o paulistano traz para o Rio o título do maior mural grafitado do mundo – já, já uma comissão do Guinness Book vem atestar o feito. O painel “Todos somos um”, em frente ao Armazém 3, no Porto, terá quase 3 mil metros quadrados, mas sua grandiosidade vai além.

O caleidoscópio de cores típico do trabalho do Kobra, em apenas 20 dias, já circulou em mais de 200 links na internet e é alvo de 10 em 10 cada smartphones que circulam pela Orla Conde que, em breve, será tomada pela intensa programação cultural do “Boulevard Olímpico”.

“Agora a gente só faz muralha”, diz Kobra, num misto de bom-humor e orgulho. “Escolhi pintar cinco rostos de etnias diferentes para celebrar os povos nativos de cada continente. Este é um desdobramento de outros murais que já fiz, como Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela e Martin Luther King, todos falam sobre a paz”. Ele escolheu os Tapajós, da região amazônica (Américas); Karen, da Tailândia (Ásia); tribo Hulis, da Papua Nova Guiné (Oceania); tribo Chukchis, da Sibéria (Europa); e os Mulsi, da Etiópia (África).

Kobra – que contou com doze pessoas para preparar o muro e agora, para finalizar (fica pronto dia 1º), trabalha com a ajuda primorosa de “Agnaldo, César e Marcos” -, encara a muralha há quase 20 dias, debaixo do sol de inverno que castiga o (novo) asfalto quente da cidade. Durante a entrevista, numa sombra recolhida do armazém (“Isso é inverno!? ‘Cê’ tá louco!”), trabalhadores que repousavam por ali, ao identificar o criador da criatura, puxaram uma verdadeira coletiva de imprensa informal ao nosso redor. “Você que fez isso tudo, cara”? Me diz uma coisa, isso é grafitismo ou muralismo?”, perguntou um deles.

O artista fez questão de responder a todos. “Graffiti é feito ilegalmente, isso é pintura muralista”, definiu. Sobre quantas cores haviam no painel, pergunta de um dos guardas da operação Centro Legal, o artista não soube precisar (mas contou o número de latinhas usadas: foram 3.000). E o assédio seguiu durante a sessão de fotos, interrompida diversas vezes por cariocas e turistas que queriam de recordação um registro com o maior artista “olímpico” de todos os tempos.

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