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Joana Braz, a carioca d’além-mar

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

No carnaval de 1984, Joana Braz Ferreira rodopiou à beça. Mas não lembra de nada: ainda estava na barriga da mãe, que participava da ala das baianas da escola de samba Trepa no Coqueiro. Não conhece? É a mais popular de Sesimbra, vila portuguesa com cerca de 50 mil moradores, terra dos avós de Joana. Ela é carioca. Não de fato – porque afinal nasceu em Lisboa –, mas de direito. A tatuagem do calçadão de Ipanema, que carrega no pé desde 2006, quando aqui aportou pela primeira vez, não a deixa mentir. O Rio, pra ela, é sua casa. E nada mais justo que, na comemoração de 450 anos da Cidade Maravilhosa, uma portuguesa se junte à festa na condição de candidata a representante da carioquice.

A Joana você já conhece aqui do RIOetc. A gente não se cansa de fotografá-la: está sempre linda e com um sorriso no rosto. “O Rio combina com abraço. Adoro isso”, ela diz. Também já adotou outros hábitos locais, como chegar atrasada – o que faz com uma certa dose de culpa – e não levar a sério o famoso “vamos combinar” – o que faz totalmente sem culpa, “porque a intenção genuína é essa”. Como se sabe, é o típico desaforo que carioca nenhum considera realmente um desaforo.

“Como toda portuguesa, vemos muitas novelas brasileiras, e isso sempre me gerou muito desejo de vir ao Rio”, lembra. Da primeira vez, veio com uma amiga, passar férias; em 2008, fez intercâmbio de um semestre na PUC, onde cursou algumas disciplinas de Arquitetura; e em 2011, enfim, chegou de vez. Tinha acabado de passar um ano em Bali – outro lugar no mundo em que ela se sente em casa. “Quando vejo alguém fumando Gudang Garam, chego a sentir que estou lá”.

Mas seu caso sério é mesmo com a Cidade Maravilhosa. Foi aqui que conheceu seu outro amor, o artista plástico Peu Mello. Ela foi penetra numa festa na casa dele, no Joá. Tinha lista na porta, e ela entrou com o nome de uma amiga. “Eu quase não fui”, ela lembra. Pouco tempo depois, tinha se mudado pra casa/estúdio/ateliê onde há pouco rolou o Mimpi. Ano passado, decidiram se casar. O prazo de permanência de Joana no país já tinha se esgotado, e a cerimônia deve ter sido divertidíssima. Nem Joana nem Peu compareceram. Foram os pais do noivo que os representaram no cartório, enquanto os pombinhos voavam em direção a Lisboa. “Viajei de branco, porque afinal eu era a noiva”, diverte-se. No dia seguinte, foram à igreja lisboeta de Santo Antônio – o santo de Peu – pra fazerem votos entre si.

Embora Portugal esteja lá, e isso seja um fato, Joana se diz “cada vez mais apaixonada pelo Rio. Tenho medo de um dia não viver mais desse jeito, no meio da natureza”. O momento profissional também é especialmente feliz. Embora tenha se formado em Design de Interiores pelo Instituto de Artes e Design de Lisboa, a moda a convocou, meio por acaso. Hoje trabalha como assistente de estilo da Mocha, neomarca superbacana que tem servido pra candidata a Carioca 2015 como “uma escola”. “Estou muito feliz de brincar com moda”, diz ela, que também é responsável pelas produções de streetstyle da FYI. Joana também está muito a fim de brincar com o mar, de forma mais profunda. Planos para o ano novo? Aprender a surfar. Pra quem atravessou o oceano pra encontrar seu lugar no mundo, a tarefa parece fácil. A gente bota fé.

 

Pra votar na Joana, você já sabe: é só dar uma passada amanhã na Casa Ipanema (Rua Garcia d’Ávila, 77, Ipanema) das 15h às 18h e doar roupas e brinquedos, novos ou usados, mas em bom estado, e dizer que está fazendo a doação em nome dela. Tudo o que for arrecadado será entregue à Associação Lutando para Viver. Cada item doado vale 10 pontos no concurso, conforme já explicamos aqui

Fotos: Tiago Petrik

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