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Jardim Botânico particular

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Juliana Rocha / Texto: Clara Mazini

E a segunda-feira braba de repente ficou com cara de final de semana. Foi só entrar no aconchegante ap da Vitória e do Rafael pra esquecer as buzinas, o vai-vem, o stress. Escondido no final de uma arborizada ruazinha sem saída do Jardim Botânico, o cafofo tem o maior jeito de domingo. É solar, é verde, é uma tranquilidade só!

Amigos há 10 anos e parceiros de trabalho, os dois dividem o mesmo teto há poucos meses. A união fraternal tem direito até a um filho – ou melhor, filhote: o vira-lata Benedito (Bené para os íntimos). Foi, ele, inclusive, o primeiro a nos saudar assim que entramos no ap… e que ap!

Adepta de uma vida mais simples sem deixar a criatividade de lado, a dupla inventa a sua própria decoração. Ali nada é desperdiçado. O pires antigo, por exemplo, virou cinzeiro; o balde saiu da lavanderia direto pra sala e agora guarda jornais; e até as galochas ganharam uma nova função: porta-revista de banheiro!

Os móveis também são reaproveitados. Alguns são herança de família; outros foram comprados em brechós, e tem os que foram descobertos em sets de filmagem. Tem até uma mesinha resgatada de um canteiro de obras! Ou seja, cada detalhe ali é exemplar único… as cadeiras são diferentes uma das outras, assim como as almofadas, as xícaras… nenhum objeto tem par, embora pareçam todos feitos uns para os outros.

Até a natureza parece ter conspirado a favor da casa, reservando uma surpresa pra nossa visita: quando olhamos a imensa castanheira que decora a vista da janela, notamos um simpático macaquinho saltando entre os galhos. “Ok, mas macaco não é tão raro assim no Rio”, você pode pensar. Mas logo em seguida descobrimos que até tucanos já fizeram uma visitinha por ali. Tu-ca-nos.

A natureza que cerca a casa, aliás, aparece em cada canto… mesmo! Até em um dos espaços reservados pro ar condicionado. Ele agora é uma janela improvisada com uma vista pro morro verdinho verdinho e acabou virando um ventilador natural.

Na cozinha o clima eco continua. Adepto das invenções gastronômicas, o Rafa adora comprar legumes e frutas nas feiras de rua (ele recomenda a feirinha que rola no Humaitá às quartas!). Durante o dia, inclusive, nós ganhamos de brinde um almoço-delícia preparado por ele! No menu, pratos super naturais: batatinhas cozidas no forno regadas com azeite; tabule de quinoa; pepinos com iogurte e um petisco típico da culinária grega; o Tzatziki! Para beber, um Chai, chá indiano, e um suco-maravilha feito com couve, cenoura, maçã, laranja, pepino e abacaxi. Hmmmm…

Entre uma garfada e outra pintou uma curiosidade…  Se o ap pegasse fogo e só desse tempo pra pegar alguns poucos objetos, quais seriam eles? Perguntamos pro Rafa que, depois de pensar um tantinho e coçar a cabeça,  chegou à seguinte lista:

 

– Passaporte: pra me identificar.

– Cartão: com o “dinheiro de plástico” dá pra sobreviver, fugir, chegar a algum lugar.

– Óculos: uso desde os sete anos. Nunca usei lente.

– Benedito (representado em foto porque ele não parava quieto): na verdade o Bené e esperto e se salvaria, mas eu o escolhi porque o amo.

– Unicórnio de tricô: presente do Stefan Thienhaus.

– Obra do artista plástico Farnese de Andrade: é uma relíquia, não dá pra deixar queimar.

– “O Mal Estar da Civilização”, do Freud: li duas vezes. É genial; fala sobre o instinto humano e sobre o lado que domamos para sermos civilizados.

– Cantil em forma de banana: foi presente da minha amiga Guta.

– Ipod: é como ter iPhone sem pagar conta no final do mês.

– Computador: com ele consigo trabalhar de qualquer lugar.

– Sapato: tenho três modelos. Usei no inverno da Europa e no verão do Brasil; ele é muito confortável e se adapta aos diferentes climas.

 

E a nossa última pergunta foi: quando a gente se muda pra cá mesmo? ; )

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