Ir para conteúdo

Ele usa a lanterna como spray

Fotos:
|
Texto: RIOetc

[Tiago Petrik] lanterna

Henrique Madeira é fotógrafo. E isso não bastaria para fazer dele personagem desta nossa Galeria Urbana. Mas o lisboeta, carioca desde os 3 anos de idade, usa uma lanterna como se fosse um spray, em que a luz é a tinta. Grafita no infinito, interagindo com a paisagem noturna. Domina como poucos a técnica conhecida como lightpainting – literalmente, pintura com a luz -, e neste sábado promove um workshop em que vai compartilhar seus conhecimentos sobre o tema. Acontece numa antiga fábrica no Rio Comprido, futura sede do Instituto R.U.A.. O investimento é de R$ 140.

A rigor, pintar com a luz é a essência da fotografia. O primeiro registro urbano de que se tem notícia, feito por Joseph Niépce em 1839, demorou alguns longos minutos – era o tempo necessário para que o daguerreótipo captasse a cena. Por isso, apenas dois personagens aparecem nitidamente: o engraxate e seu cliente, que ficaram “parados” no mesmo lugar durante o processo de captura da luz. Henrique Madeira faz como Niépce: deixa o obturador de sua câmera aberto pelo tempo necessário para desenhar. No caso da foto que ilustra este post, foram apenas 30 segundos – uma pequena demonstração para convocar os leitores do RIOetc a participarem do workshop. O estudo vai ter dez horas de duração, e contará com apenas 15 alunos. Não bastasse a aula do craque, ainda estarão presentes outros nomes da arte urbana carioca: Fernando Mangue, Márcio Piá, Marcelo Eco (que se iniciaram no lightpainting com a força de Henrique, membro do Light Painting World Alliance) e Marcelo Ment.

Madeira vem se aperfeiçoando há quatro anos na técnica, tornada popular nos anos 40 pelo gênio Pablo Picasso (no Brasil, a principal referência é Renan Cepeda, primeiro a levar suas imagens para as galerias de arte). Todos os dias Henrique pratica, nem que seja fazendo pequenos testes. E há cinco anos registra com afinco as atividades dos principais artistas urbanos brasileiros. Ele não fotografa a arte pronta, meramente, e sim o processo de feitura. Neste período, mais de mil pinturas foram acompanhadas por Henrique, que está em fase de captação para publicar o primeiro livro com um recorte deste trabalho ímpar. Ou seja: vem coisa muito boa por aí.

A propósito do workshop, vale ainda ressaltar: não é necessário levar nenhum equipamento. Mais ainda: o curso é aberto a qualquer pessoa. Você não precisa ser um artista para estar lá. Mas vai sair de lá se sentindo um.

Comentários