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De Vaz Lobo para o mundo, via Miami

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

Alexandre Oliveira, ou simplesmente Xela, é carioca de Vaz Lobo, na Zona Norte do Rio. Segundo os dados oficiais, o bairro é apenas o 83º colocado na lista de Índice de Desenvolvimento Humano de toda a cidade.  “É bem brabinho por lá”, diz o publicitário de 30 anos, bolsista da Miami Ad School entre 2015 e 2017, hoje redator da W/McCann.

Xela – “Alex” ao contrário – entrou na escola ao ganhar um concurso de ideias. E consegue enxergar claramente um A.M. (Antes da Miami) e um D.M. (Depois da Miami) em sua vida. “Definiu a minha carreira profissional e mudou tudo desde então”, avalia.

Ele já era formado em Publicidade e trabalhava em agência. Não foi fácil conciliar aulas e trabalho. “Mas tudo valeu muito a pena. Não só pelas aulas e todo o conteúdo, mas também por todo mundo que você conhece, que se tornam amigos de verdade para a vida inteira. Também foi um ponto de virada sobre prêmios e festivais. Era uma coisa que eu acompanhava, mas achava que não era algo para mim ou que poderia ganhar um dia. Foi na Miami que eu comecei a viver esse universo por dentro e vi que era possível sim fazer trabalhos reconhecidos no mundo todo”, conta. De lá pra cá, foram nada menos que 18 prêmios. Entre eles, o Future Lions para o anúncio “Financed by the sun”, ideia para a implantação gratuita de paineis solares em residências.

Fazer uso da carioquice certamente é um dos segredos para tanto reconhecimento. É dele a criação do Explicador, personagem da Casa Digital para a Prefeitura do Rio na época de obras para os Jogos Olímpicos. O site recebeu mais de 1,2 milhão de visitas; os vídeos no Yotube, 1,2 milhão de views; 43,2 mil pessoas interagiram via Whatsapp; mais de 3 milhões de perguntas foram respondidas em apenas um mês de campanha, esclarecendo dúvidas da população sobre as mudanças que ocorriam na cidade por conta das obras.

Outro case de respeito – e que gerou imensa mídia espontânea – foi o carro cravejado de balas pilotado pelo rapper Dughettu, fazendo referência a um veículo metralhado por policiais. Era para divulgar sua música “112/111”, falando sobre a violência policial. Obviamente o carro foi parado várias vezes em blitz, e o rapper chegou a ser detido. “Mas legalmente não tinha nada de errado com o carro, segundo as normas do Detran, então acabou sendo liberado”, diz Xela. A peça levou a Casa Digital a seu primeiro prêmio em Cannes.

Outra ação que o publicitário cita com a carinho é a Carteirada do Bem, app lançado pela Assembleia Legislativa para explicar as leis aos cidadãos, que teve mais de 200 mil downloads.

E se é falando de sua aldeia que sua mensagem se tornará universal, como disse Tolstoi, Xela tem como principal cliente há sete anos ninguém menos que a Coca-Cola, símbolo maior da globalização. A marca esteve em sua vida em três agências pelas quais passou, incluindo a McCann.

E é justamente o caráter “sem fronteiras” o que mais chama a atenção de Xela quando fala sobre a Miami. “O que diferencia a escola é o padrão global de criatividade. Assim como as grandes agências, a Miami também é uma rede que está presente em vários países. Isso facilita a busca por prêmios nos grandes festivais. E esse é um tremendo diferencial de mercado em qualquer lugar do mundo. É por isso que tem tanta gente da Miami trabalhando em diversos países”, explica a cria de Vaz Lobo que ganhou o mundo.

O curso de Redação Publicitária, que deu asas ao Xela, está com inscrições abertas para as turmas de outubro.

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