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Caminho do Graffiti

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

[Bruna Velon]

Pelo primeiro ano no calendário oficial do Rio, o dia 27 de março agora será conhecido como o Dia Municipal do Graffiti, assim como em São Paulo, que já conta com a data há dez anos. Apesar do reconhecimento, a arte urbana continua sendo um tema pra lá de controverso nas metrópoles brasileiras. Enquanto passam tinta no conhecido muro do Jockey (“apagaram tudo/pintaram tudo de cinza”) – mas isso será tema de outra coluna -,  o Morro dos Prazeres entra de vez no circuito da arte urbana carioca e nos remete a outra música (de Tom e Vinicius), bem mais entusiasmada: “o morro quer se mostrar/abram alas pro morro…”. É que esta semana foi inaugurado, na comunidade de Santa Teresa, o Caminho do Graffiti. No novo roteiro, o morro tem vez e tá bonito pra caramba. Quem der play na seta pode visitar o percurso inteiro.

Trata-se de cerca de 100 metros de arte ladeira acima, colorindo não só as casas, mas também o cotidiano e a autoestima dos moradores. A vista para o Pão de Açúcar, Cristo, Maracanã e Baía de Guanabara é cortesia da casa e promete fazer do pico coisa pra gringo ver, no bom sentido. Quarenta e cinco grafiteiros pintaram as fachadas de 50 imóveis da região da Colina (na altura da Almirante Alexandrino, 3286, em Santa Teresa). Além da prata da casa, uma galera boa do Rio e de São Paulo, participaram artistas da Republica Tcheca, França, Japão, Chile, Alemanha e Estados Unidos. Todo mundo colocou a mão na massa.

O politicamente correto “comunidade” é um termo que tem tudo a ver com o projeto: foi idealizado por Carmen Givoni (Santa Prazeres Tour), organizado por Charles Siqueira (Instituto Pólen), teve curadoria do grafiteiro Marcio SWK e contou com a colaboração de gente de todos os cantos. Além do patrocínio da Total, a petrolífera francesa. “Esse projeto surgiu da vontade de agregar valor à comunidade, aos jovens que vivem aqui. Esse novo visual vai atrair visitantes e, com isso, movimentar o comércio da região. É uma oportunidade pra todo mundo”, comemora Carmen.

O processo – desde convencer alguns moradores relutantes, buscar apoio financeiro, fazer os reparos em alguns muros até a pintura de todas as moradias -, durou cerca de 6 meses, e terminou no último sábado. Mas não vai parar por aí. “Queremos estender até a área do jardim. Contamos com ajuda da iniciativa privada e empregamos quatro adolescentes para trabalhar. É um tapa na cara do governo. O morro já tem UPP há três anos, mas até agora eles só mandaram polícia pra cá. Agora que o filho tá feito, todo mundo quer ser pai”, dispara Márcio SWK, curador e morador do morro. Seu sonho é ver o Prazeres todo pintado. O graffiti pede passagem.

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