Ir para conteúdo

A arte desembarca em Coelho Neto

Fotos:
|
Texto: RIOetc

[Bruna Velon] arte

Setecentas e trinta latas de spray (730!), cinco galões de látex, mais compressor e rolo para pintar um mural de 140 metros em Coelho Neto, a 13ª parada da linha 2 do metrô. Esses são os números do Plantio Crew (Pedro Porto, Diogo e Marcelo Lamarca) e agregados para o ambicioso GaleRio: eles formam um dos 13 grupos de 130 grafiteiros que, até 2016, irão pintar murais multitemáticos nos 40km entre as estações São Cristóvão e Pavuna. Para o grupo, explorar novos lugares e fazer parte de um novo circuito foi o auge da experiência.

“Os moradores ficaram alucinados, alguns tiravam a tarde pra ir lá, passeavam no gramado, levavam a família pra ver. Eles ficaram muito felizes. Até os PMs iam lá falar com a gente, foram sangue bom, coisa que não é muito comum, mas eles viram que a gente estava fazendo algo maneiro. Eu nunca tinha ido a Coelho Neto e foi sensacional, agora a gente faz parte desse lugar. Foi uma experiência pra todo mundo”, conta Pedro Porto, que formou uma equipe com os camaradas Sark, Ju Fervo, Tito Sena, Nobru Werneck e Miguel Sereno.

O projeto é organizado pelo Eixo Rio com curadoria do Acme e Airá, O Crespo. Cada um dos grupos deveria escolher alguns temas propostos pela organização, assunto sempre divergente entre os grafiteiros.

“Sugeriram que a gente fizesse sobre esportes radicais ou um momento para relaxar. Acho que não dá pra impor como deve ser, não é assim que funciona, nem nunca vai ser. Tem gente que não respeita. Nós escolhemos o segundo, mas fizemos do nosso jeito. Queríamos algo lúdico, por isso, fizemos um cara lendo um livro, imaginando a passagem do dia pra noite. Pintamos personagens de desenhos animados, montanhas, balões, praia, animais, letras. Cada um explorou sua linguagem, o que gosta de pintar”, explica Porto.

No dia a dia, a logística era bem complicada. Além de atravessar a cidade, a jornada começava as 8h da manhã e terminava só no fim do tarde, com direito a bate-e-volta na Zona Sul no meio do expediente lá em Coelho Neto. Mas como ninguém é de ferro, rolava até churrasquinho e cerveja gelada pra quem estava no batente.

“Esse foi o maior mural que a gente já pintou. Pintar em grandes dimensões é bem mais difícil, mas foi uma boa oportunidade, nos superamos, experimentamos coisas novas, deu muito certo. As pessoas acham que é só chegar lá e pintar. Na real, é um trabalho bem de peão de obra mesmo: carregar tinta, mudar andaime de lugar, atravessar a rua várias vezes pra ver o que tem corrigir. Foi muito cansativo, mas foi sensacional. O grafite tem essa magia. O spray é magico, ele não toca a parede, ele sai do aerossol e colore a superfície”, define Porto no mundo lúdico da sua imaginação.

Fotos: Juliana Rocha

Comentários