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A volta da Galeria Urbana

Fotos:
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Texto: RIOetc

 

[Tiago Petrik, editor do RIOetc]

Há dois anos lancei o desafio ao querido amigo Rafael Doria: ocupar uma coluna no RIOetc para falar sobre a arte urbana da cidade – e eventualmente, de outros lugares, como é a essência do blog em geral. A ideia era diversificar nossa pauta. Sem esquecer que somos especializados em streetstyle, queria propor um passo além, falar de lifestyle. Seja lá o que isso significa, inclui a arte. O Doria, de quem também admiro o trabalho como artista plástico, revelou-se um bom redator. Divertido e criativo, como também são os desenhos que ele faz. Depois de mais de 30 colunas, o Doria pediu para se afastar, por conta de outros compromissos pessoais e profissionais. Em setembro, lancei aqui um chamado por um novo colunista. Pra minha surpresa, choveu gente interessada. Foi um trabalhão, entre mais de 50 currículos recebidos, escolher as quatro meninas que estão na foto aí de cima. É delas a tarefa de falar da arte urbana, a partir de agora. Louie, Juliana, Mariana e Rachel (pela ordem da foto) vão se revezar no espaço. Com perfis bem diferentes (a começar pela idade, que varia entre 18 e 30 anos), como você pode ler nas respostas abaixo, acho que vamos conseguir falar de aspectos também variados, já que as pautas são infinitas. Desejo boa sorte a todas elas, e aproveito para agradecer novamente ao Doria, pelo pontapé inaugural, e a todos os que se interessaram em debater a arte das ruas com a gente. Mesmo no papel de leitores, e não de colunistas, convoco todos a participarem do debate – assim vai ser ainda mais bacana!

Apresentem-se! Nome, idade, profissão?

LOUIE MARTINS, 26 anos, curadora e fundadora da Youngs Arts.

JULIANA DOMINGUEZ, 30 anos, redatora e editora de conteúdo.

MARIANA ZAPPA, 18 anos, estudante de Comunicação (Jornalismo) da UFRJ e blogueira nas horas vagas.

RACHEL SOUZA, 28 , nunca sei realmente o que responder, mesmo tendo começado a trabalhar com 17-18 anos. No desespero das respostas rápidas já disse ser manicure, artista plástica, professora, pesquisadora. A verdade é que sou leitora,escritora e estudante profissional. Leio por vício, sem frescura. Escrevo para ter o que fazer com as coisas que li. Estudo porque não tem jeito, é a única coisa que sei fazer com alguma competência. Fiz mestrado e aguardo o resultado da seleção para um doutorado em Artes Visuais. E, claro, como qualquer estudante profissional brasileira, faço freelas incontáveis para chegar ao fim do mês sorrindo.

O que é arte urbana?

LOUIE – Manifestações artísticas que utilizam o meio urbano, cidades, como plataforma e suporte. Pode ser tanto grafite, estêncil, lambe como intervenções e por aí vai.

JULIANA – Arte urbana é expressão pessoal no coletivo. É apropriação e intervenção, e nós intervimos. Arte urbana somos nós, eu e você, caminhando, interagindo, alterando, deixando nossa marca no caminho.

MARIANA – Todo o tipo de intervenção artística que repense o modo de viver urbano.

RACHEL – Isso é pergunta de prova! (rs). Não sei.

Quem vocês destacam, entre os artistas que têm visto por aí?

LOUIE – Nacionais destaco o Nove, de São Paulo, e o Meton, do Rio. Internacionais destaco o ROA, ERICA Il CANE, PHLEGM, Aryz e o coletivo português Maniaks, que tem obras aqui no Rio.

JULIANA – Gosto do coletivo de fotografia Equivalentes. Seus primeiros trabalhos se inspiravam na abordagem fotográfica de Alfred Stieglitz. É um grupo bastante heterogêneo, e sua última exposição foi ao ar livre, na Glória. Marcos Dantas, Renato Índio do Brasil e mais alguns integrantes vieram de outros coletivos, como o extinto Rosário de Fotos, e já têm a carga de arte na rua. As fotos são, em sua maioria, registros de expressões artísticas populares em todo Brasil, e as exposições eram sempre feitas em portais e muros de sobrados abandonados no Centro do Rio.

MARIANA – A grafitteira feminista Anarkia Boladona, o paulista Zezão e o coletivo Opavivará.

RACHEL – Alexandre Órion, Daniel Melim, Ozi Duarte, Roadsworth, Anarkia Boladona, Alê Souto, o coletivo mexicano ASARO, Above, Tobias Starke, Coletivo Gráfico, Mundano, Lapiztola Stencil, Os Gêmeos, Nina Pandolfo, Zezão, Nunca, o misterioso Bansky, 6 e meia, Speto, Presto, Stephan Doitschinoff, Contente e uma galera que agora não consigo lembrar. Espero conseguir falar de todos ao longo da coluna.

Das cidades q você conhece, qual é o melhor museu a céu aberto?

LOUIE – Berlim!

JULIANA – Barcelona, sem dúvida. Arquitetura histórica a cada quarteirão, grafites de primeira em todo lugar, um sem-número de artistas de rua pela Rambla, feiras ao ar livre, o bairro gótico e o Parc Güell, que por si só são obras ímpares… visitei a cidade duas vezes, e a cada passeio descobria pontos mais interessantes.

MARIANA – O Rio de Janeiro em si é um museu, com todas suas cores e nuances.

RACHEL – São Paulo, que tem de fato o 1ª Museu Aberto de Arte Urbana, o MAAU.

O que esperam da coluna?

LOUIE – Arte urbana além da estética.

JULIANA– Espero movimentação e troca de informações. As colunistas têm perfis bastante diferentes, o que é excelente. Espero poder contrubuir com o que sinto e o que sei; e espero sempre poder aprender muito com todos – redatoras, leitores e artistas.

MARIANA – Conhecer novos tipos de arte urbana e interagir com quem tem esse mesmo objetivo.

RACHEL – Conseguir dar conta de escrever sobre as obras que gosto, dos artistas que fortalecem a cena. Abrir mais um canal de diálogo sobre um movimento que tem mais de vinte anos de existência e parece não se esgotar. Espero também fazer alguns amigos e me divertir no caminho. Que tudo saia como som de Tim Maia ( rs).

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