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A nata do stencil

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Bruna Velon]

Sabe aquelas pessoas que se divertem fazendo o que amam? Multiplique por cinco jovens de vinte e poucos anos. Some as definições de nata (a melhor parte de alguma coisa, especialmente num grupo social; a fina flor) e família (grupo unido por convicções, interesses ou origem comuns), e o resultado será um quinteto talentoso na arte do stencil. Eles são a Nata Família e, não, não se preocuparam em criar uma fórmula ou buscar verbetes no dicionário. Foi um “torna-te quem tu és”, na parceria e consideração construídos desde os tempos de colégio. Os quase irmãos conquistaram territórios para além do berço, o bairro de Laranjeiras, marcando presença com Jimi Hendrix, 2Pac, Cartola, Bob Marley e o Macaco de Terno, que virou uma marca registrada do grupo. Quem não viu, ainda vai reconhecer.

“Sempre fomos muito amigos, então tudo aconteceu organicamente, desde nosso primeiro contato com o grafite, a escolha do nosso nome até o que pintamos”, define Guilherme Mattos. Thulio Monteiro Carvalho, completa: “Antes fazíamos nossos ídolos, da música e do cinema. Hoje em dia, pintamos mais rostos e expressões de crianças e ‘antigos’ anônimos. A gente evoluiu de forma natural”.

O coletivo começou a fazer os primeiros stencils na adolescência, por volta dos 14. Oito anos depois, Guilherme, Thulio, Caio Cremona, João Cotrin e Bryan Carvalho já têm um ateliê para chamar de seu no Cosme Velho (que, aliás, foi repaginado pela Bel Lobo no Decora, do GNT: onde fazem os stencils, telas, camisas (à venda através do Facebook) e, futuramente, evento culturais.

“A gente nunca imaginou que um dia iria se profissionalizar, fazer dinheiro. Mas há 2 anos a arte urbana deixou de ser só um hobby para virar um trabalho”, explica Bryan, que foi um dos primeiros do grupo a dominar a técnica de fazer o stencil em camadas, permitindo o uso de diversas cores, efeitos e profundidades.

Entre as 1001 atividades da Nata Família estão as frequentes oficinas de stencil. No próximo fim de semana, rolam duas oportunidades de se iniciar nessa arte: sábado, 6, no projeto Travessias, na favela da Maré (inscreva-se através do email [email protected]) e sábado e domingo, 6 e 7, na Babilônia Feira Hype, no Clube Monte Líbano. É só chegar!

Fotos: Tiago Petrik

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