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A mistureba esportiva de Soraya

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Tiago Petrik

[Tiago Petrik]

Uma Síndrome do Pânico severa tirou Soraya Marx das ruas durante um ano e meio. “Eu nem saía de casa”, ela lembra. Foram dez anos sem ultrapassar os limites do Rio, e dezesseis sem pisar fora do país. Como parte do tratamento, ela se dedicou com intensidade às atividades físicas. “O esporte faz bem. Você solta aquela ansiedade”, diz. Ao longo da vida, fez ginástica olímpica (mas desistiu porque seu 1,63m a tornam uma gigante para isso), quis jogar basquete (mas desistiu porque seu 1,63m a fazem baixa demais para isso), praticou muay thai, surfa, faz wakeboard, acrobacia aérea com tecido, anda de skate, de bike, dança com bambolê, além de correr e jogar altinha. “Acho importante ir pra academia também pra equilibrar, porque às vezes você pratica um esporte que desenvolve uma parte, e outra não”. Ufa. Praticamente um distúrbio de déficit de atenção, tantos são os focos da Soraya.

Ela acha graça disso tudo. Fora do universo esportivo é a mesma coisa: “Estudei de tudo um pouco, mas não me formei em nada. Fiz Moda, Publicidade, Educação Física… E algumas outras coisas mais”. Aos 29 anos, há três ela é a feliz produtora do blog Mistureba Chic, onde fala sobre… um pouco de tudo! “O blog nasceu disso, dessa mistura de tudo que eu vou aprendendo”, explica, sem a pretensão de ser especialista em nada, mas certa de que tem um estilo de vida que a faz querida por seus seguidores. Ah, Soraya também é modelo. “Mas isso é mais quando querem alguém muito tatuada”, conta, sem saber responder ao certo o número de desenhos espalhados pelo corpo. “São uns vinte e poucos”, de vários temas, todos unidos pelo design old school.

Por falar em old school, Soraya lembra do tempo em que viveu no Posto 6, e acordava cedo pra ver os pescadores voltarem pra areia. “Todos me conheciam, e quando encontravam estrelas do mar, levavam pra me dar de presente”. Na mesma época, adorava subir as pedras do Arpoador para pescar com o pai. “Ainda tinha muito tatuí na areia, e pegava aqueles tatuís enormes pra usar de isca”, diz.

Também morou no Humaitá, depois na Barra, e agora está de volta ao Humaitá. Mas foi na praia da Zona Oeste que sempre surfou (embora prefira o mar da Macumba). Num dia de ondas, teve uma protusão – algo parecido com uma hérnia – na vértebra L5/S1. “Foi horrível, achei que ia morrer afogada. Tava dando um golfinho pra sair, e não saía da posição fetal. Por sorte ainda estava na arrebentação, então joguei a prancha e fui comendo areia”, lembra. Tinha dezesseis anos e foi proibida pelo médico de fazer esportes. “Mostrei pra ele os ássanas de yoga, e vários também não podia fazer. Vendi todos os meus equipamentos esportivos e fiquei em depressão. Eu sempre gostei de esporte de alto impacto”, diz.

Aos poucos, foi recuperando a forma e a possibilidade de fazer tudo o que gosta. Só lamenta ter perdido o timing circense. “Quando entrei pra Educação Física, aos 23 anos, me perguntavam por que escolhi aquilo, e eu dizia: ‘Porque tô muito velha pra fugir com o circo’. As pessoas achavam que era brincadeira, mas era verdade: na escola de circo só pode entrar até 21”, diverte-se. Bom pra gente que a Soraya não foi embora com o circo. Pra vê-la em ação, é só ir pra rua ou olhar pro mar. Alguma hora você esbarra com ela por aí, na maior academia a céu aberto do mundo.

Nome: Soraya Novaes Marx.

Mas me chamam só de… Soca, Sox, Sô…

Idade: 29.

Faz o quê? Odeio o termo blogueira, então vou dizer influenciadora digital.

Carioca da… gema!

Lugar da cidade de que se sente dona: Sou livre demais pra isso.

Cidade do mundo em que também se sente em casa: Arraial do Cabo.

Música que mais combina com o Rio: Acho que é muito misturado, todos os ritmos combinam, depende da vibe que você tá. Na praia, no barzinho, numa festa… Tudo misturado.

Música que mais toca no seu iPod: “Way I live”, Skizzy Mars.

Adoro: tanta coisa…

Devoro: açaí.

Me encharco de: água salgada.

Li e recomendo: “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera.

Vi e recomendo: “Making a murderer”

Ponto da praia: Posto 5 da Barra.

Esconderijo (antes dessa entrevista) secreto: Não fica secreto porque coloco tudo no Instagram… Mas Grumari, onde o celular não pega!

Time: Flamengo.

Escola de samba: não tenho.

Bloco: não curto.

Signo: Canceriana.

Religião: Não tenho. Acredito em energia.

Instrumento musical: outro tema que fiz um monte. Mas o que mais gostei de tentar aprender foi piano. Também tentei violão, violino.

Prato preferido: comida japonesa. Conezão.

Melhor vista do Rio: Não sei se é a melhor (são tantas!), mas a mais bonita que já vi foi passando de helicóptero por cima do Cristo num fim de tarde.

Meio de transporte: Bike ou skate.

Sonho de consumo: Uma prancha feita sob medida.

Promessa pro ano novo: Confiar mais em mim mesma.

Meta para a vida: criar uma família muito feliz.

Faço o estilo… Varia um pouquinho com o humor, mas sempre solto e com ar jovem.

Pro Rio ficar ainda melhor só falta… Mais respeito, entre as pessoas e pela cidade.

Esporte preferido: surfe, apesar de não ser meu melhor nem de longe!

Terapia: Mergulho no mar, água salgada cura tudo!

Quem tem a cara do Rio? Adoro as personalidades das pessoas do livro “Anônimos Famosos”, acho que essa é a cara do Rio: uma mistura de pessoas com histórias de vida fascinantes.

Cor: branco.

Flor: rosa vermelha.

Maior dor: foi acompanhar a luta contra o câncer e por fim a morte de um dos meus cachorros.

Época em que gostaria de ter vivido: sou fascinada por muitas, principalmente anos 70. Mas gosto de viver no presente, ainda mais considerando o fato de ser mulher em um mundo que já foi muito mais machista. Quero minha liberdade.

Programa de TV: Na verdade nem tenho TV no meu quarto, (risos) mas tô curtindo acompanhar o seriado Vikings pelo Neflix pelo computador.

Site/blog em que mais navega: perco horas no Buzzfeed e adoro a Aninha do blog Hoje vou assim off, apesar de termos estilos completamente diferentes.

Amar é… A loucura mais sensata que rege meu ser.

Dia ou noite? Dia! E de preferência ensolarado!

Liso ou estampado? Se tratando de roupa vou de liso porque de estampada já basta minha pele (risos)

Colorido ou P&B? Na roupa sou básica, mas no quesito cabelo, pele e vida…. Mais cor, por favor!

Conforto ou elegância? Conforto sempre.

Quem gostaria de ser por 24 horas? Alguém que teve a coragem de largar tudo pra virar um viajante do mundo.

 

Pra votar em Soraya Marx no V Concurso Anual do Retrato Ideal e Otimista da Carioquice Autêntica (Carioca 2016), separa aquelas roupas que você não usa mais, mas continuam em bom estado; cada peça arrecadada vale 5 pontos! Alimentos não-perecíveis também entram na conta. Tudo será entregue à Associação Lutando para Viver. Sua doação pode ser feita na Casa Ipanema (Rua Garcia d’Ávila, 77, Ipanema) nos dias 23 ou 25/2, entre 17h e 20h. Nessas datas, teremos encontros com os candidatos, em torno de seus esportes. O encontro com a Soraya será no dia 23. Quem comparecer e postar uma foto no Instagram com a hashtag #sorayacarioca2016 garante 10 pontos pra ela. Nos vemos lá!

 

 

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