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A intraduzível Juliana Luna

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Juliana Luna nasceu em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Com um aninho, mudou-se pra Bolívia por conta do trabalho do pai, um químico industrial. De lá, a família rodou a América Latina – ela viveu no Chile, na Argentina e no Peru antes de voltar ao Brasil, aos 12. “Tive que reaprender a língua. Meu primeiro idioma é o espanhol”, ela conta. “Foi como me naturalizar de novo”. Em 2007, foi pra Roma, estudar dança. Lá aprendeu o italiano. Em 2009, começou a namorar um artista plástico americano, e mudou-se pra Nova York, onde passou a se comunicar em inglês. Depois de casar e se separar, ainda ficou mais dois anos por lá, e faz só um ano que está de volta ao Rio. Às vezes ainda esquece alguma palavra em português, no meio de uma frase. Na sua cabeça normalmente envolvida por turbantes ainda cabem algumas palavras do dialeto xhosa, da África do Sul (falamos disso depois, tá?), e outras tantas de japonês, por curiosidade e respeito às tradições da terra do sol nascente, onde um dia pretende viver. Tudo isso faz de Luna – é assim que seus amigos a chamam – uma carioca do mundo; e, de certa forma, a deixa na posição de olhar para o Rio sempre com um olhar de turista.

E a Luna faz isso como poucos. Logo quando voltou, conheceu o Eixo Rio, instituto da Prefeitura criado pra cuidar da arte urbana, e lá toma conta das relações internacionais da entidade. Leva gringos pra conhecer um lado menos glamouroso da Cidade Maravilhosa, mas cheio de arte, muitas vezes ignorada pelos próprios cariocas. Em seu roteiro, passa pelo Porto Maravilha, e de lá segue pra Zona Norte. Em Coelho Neto, apresenta a rota do GaleRio, grafites espalhados pelo muro do trem. “Foi um local que ganhou nova cara. Não é mais sujo e escuro, e isso se reflete até mesmo nos índices de violência”, diz. Na sequência, vai pro Parque Madureira. “Me pergunto onde aquela galera caminhava antes. E a criação do parque reduziu até o índice de violência doméstica: você pode sair de casa e tomar um ar, em vez de brigar”. Depois, segue pra Cadeg, pra almoçar, ou emenda nas Naves do Conhecimento do Complexo do Alemão. “Me surpreendi positivamente com o que vi nesta volta ao Rio”, festeja Luna, de 28 anos.

Claro que tem um lado ruim: a cidade está mais cara. “Quando voltei, decidi viver num local que tivesse natureza, que o aluguel não fosse um absurdo e tivesse espaço”. Descobriu esse lugar em Santa Teresa, embora dispense a vida boêmia da região. “Não sou de barzinho, porque não bebo. No máximo, uma taça de vinho”, diz. Mas em casa ela se diverte com o pole dance – há pouco, instalou em casa sua vara, assim como tinha nos anos de Nova York. “Na minha opinião, toda mulher deveria praticar. Mexe com o espaço da sensualidade e da confiança, é terapêutico. E a questão do físico é importante”, conta. Por isso, dança todo dia. E às vezes faz shows para os amigos que vão visitá-la.

Luna é cheia de amigos, e com eles se junta não só pra dançar. Seus projetos são múltiplos. Sobre alguns a gente já falou aqui: o Project Tribe é uma plataforma online de empoderamento feminino. Mulheres posam usando um adesivo da causa e um turbante, e respondem à pergunta “se você pudesse enviar uma mensagem inspiradora a mulheres do mundo todo, que mensagem seria essa?”. A foto vai pro Tumblr do projeto e passa a fazer parte da rede de “mulheres superpoderosas”. Há pouco começou outra iniciativa, o Projeto 5. Cinco amigas unidas em torno da moda, compartilhando expertises e contatos pelo bem coletivo.

E aí chegamos ao fim deste texto sem que você tenha matado a curiosidade em relação ao dialeto xhosa, né? Então lá vai: ano passado ela aprendeu algumas palavras com um ex-namorado, o neto de Nelson Mandela. Passou dois meses na casa do líder sul-africano. “Ele estava hospitalizado, mas faria aniversário, e o neto dele queria que eu estivesse lá na comemoração, porque ele achava que seria a última. E de fato foi”.

Fotos: Tiago Petrik

 

Pra votar na Luna, você já sabe: é só dar uma passada amanhã na Casa Ipanema (Rua Garcia d’Ávila, 77, Ipanema) das 15h às 18h e doar roupas e brinquedos, novos ou usados, mas em bom estado, e dizer que está fazendo a doação em nome dela. Tudo o que for arrecadado será entregue à Associação Lutando para Viver. Cada item doado vale 10 pontos no concurso, conforme já explicamos aqui

 

 

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