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7 – Amandanideck

Fotos:
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Texto: RIOetc

É, Noel,
mais um Natal e cá estamos nós, de novo, escolhendo as melhores palavras na nossa velha e clássica tentativa de agradecer, nos arrepender e, é claro, pedir.
‘HoHoHo, sente aqui, minha filha’, é o que eu espero ouvir.
Logo, sinto aquela típica sensação estranha, um misto do velho medo infantil, com o aconchego e carinho, que o bom velinho sempre tem. (para ler a carta inteira, clique aqui!)
Com os olhos arregalados, o coração disparado e um pouco de gagueira, tento falar o desejado.
A compreensão parece impossível, mas o senhor entende, me acalma e me interrompe com a tenebrosa pergunta: ‘Mas fostes uma boa menina?’
Aaaaah, Papai Noel, a gente bem que tenta né, sabe como é..
Mas ser boa, boa mesmo, é complicado. Isso é coisa pra sofrida Helena, do Manoel Carlos; pra saudosa Amélia, aquela sim foi mulher de verdade; pra contemplada Anna Julia, e pra todas as outras, na poesia almejadas.
No labor cotidiano, a história é outra, a gente tenta, de verdade. Cai, pra poder levantar, chora pra depois rir e perde pra ganhar.
Mas, nem sempre, a certeza do tal final feliz nos acompanha.
Aqui, na realidade, onde, a imaginação nem sempre ultrapassa o imaginário, fazemos nossa própria trilha sonora, figurino e roteiro. Escolhemos nosso elenco e o ângulo das ações, embora esse controle, muita das vezes, pareça não nos pertencer.
Confesso que ser diretora, autora e protagonista da própria vida, não é tarefa fácil, É coisa pra Wood Allen.
Mas eu sigo e sigo acreditando, fortemente, que é dessa forma que faço o meu destino, e sou a tal da boa menina que o senhor espera que eu seja.
Talvez, com mais palavrões, ressacas e cicatrizes do que o esparado. Mas, faz parte…
Eu, como as outras centenas de escritoras, vim mostrar que também saí campeã dessa luta do dia-a-dia versão 2009, e, que mereço receber esses 28 lindos presentes que a rio etc tá oferecendo, como o troféu final.
E quer saber, talvez seja esse o tal do espírito natalino. Uma tentativa de mostrar para nós mesmos, e para os que nos cercam, que saimos vencedores da árdua batalha do cotidiano. Uma espécie de auto-afirmação, que Lacan, beirando a perfeição, explicaria.
E o senhor, nessa história toda, tem um difícil papel: acreditar na melhor versão de nós mesmos, nos declarar vencedores e entregar, pontualmente, nossos troféus, à meia noite, do dia 24 de dezembro.
Sem mais, faço meus agradecimentos, ajeito meu cabelo e, definitivamente, estou pronta para a foto. Click!
Levanto encorajada a permanecer na batalha do real. Sim, como o aquele sorrisão orgulhoso e digno de vencedor com a certeza do pódio e da entrega do troféu.
É, a fila tá crescendo… Pego minha foto de recordação e carrego comigo a boa sensação de missão cumprida.
Tempo esgotado! (E o próximo da fila, ansiosamente, caminha em sua direção…)
Aquele abraço, de quem, há 20 anos, conta com a sua astúcia! :)

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