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Yoga na laje

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos : Tiago Petrik

 

[Elis Vasconcelos]

São muitos os significados atribuídos à palavra “Yoga”: trabalho, tarefa, controle da mente, disciplina, aplicação…. Porém, no caso do projeto “Yoga na Laje”, os sentidos que melhor se adequam são somar, unir e manter junto.

Idealizado por Carlos Augusto de Aguiar, um engenheiro que hoje se dedica a reabilitar pessoas através do Yoga e de outras práticas e filosofias, o projeto começou em junho de 2012, logo após a chegada da UPP à Rocinha. Inicialmente, Carlos Augusto alugou com seus próprios recursos uma laje na Estrada da Gávea para oferecer aulas de yoga para as crianças da comunidade – por isso o nome “Yoga na Laje”. A ideia era proporcionar alguns instantes de relaxamento e tranquilidade para os pequenos e agitados moradores da favela, que até pouco tempo atrás viviam num local bastante agitado, cheio de medo, tensão e momentos de extrema violência.

Ao perceber o interesse dos pais pelas práticas, o projeto passou a abranger pessoas de todas as idades. No entanto, o fato de as aulas acontecerem num espaço a céu aberto tinha suas vantagens – como a linda vista que se tinha da laje, por exemplo – mas também muitas desvantagens: barulho, calor, chuva, frio. E tudo isso impedia que as práticas fossem constantes, e a constância é algo fundamental para quem pratica yoga.

Hoje as aulas acontecem na Biblioteca Parque da Rocinha, um espaço com mais de 1,5 mil metros quadrados, que além de livros e DVDs, oferece aulas de artes, dança e teatro, estúdios de gravação e edição audiovisual, cinema, acesso à internet, entre muitas outras atividades, tudo de graça! Apesar disso, a biblioteca ainda não é muito frequentada pelos moradores. Porém Miriam – a moça bonita de olhos azuis que aparece nas fotos aí de cima, e que é organizadora e responsável pela comunicação do Yoga na Laje – acredita que isso vai mudar em breve. “Tem muita gente que vem aqui para usar a internet ou pegar um livro e acaba descobrindo e fazendo uma aula de Yoga. Assim como tem gente que vem aqui para praticar e acaba descobrindo que o espaço tem muito mais para oferecer, é uma troca e isso está acontecendo cada vez mais”.

Com 30 alunos fixos e mais alguns “flutuantes” o objetivo de Miriam e Carlos Augusto é alcançar 100 alunos fixos nas 3 turmas disponíveis ( terças e quartas de manhã, terças e quintas de noite e quartas de tarde) até o fim deste ano (todos os professores – alguns cedidos pelo centro Blyss, de Ipanema – são voluntários). Depois disso, quando o projeto já estiver mais bem estruturado, a ideia é levar o yoga para as lajes de outras comunidades do Rio de Janeiro. Mas antes disso Miriam pretende ter sua própria turma na Rocinha, só para a terceira idade. Enquanto isso não acontece, todas as pessoas, não importa sexo nem idade, podem fazer aulas juntas e misturadas. Afinal, como dissemos no início do texto, o Yoga na Laje está aí para somar, unir e levar a filosofia do Yoga para todos os cantos da cidade.

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