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13 pompons pra aquecer este inverno

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Tiago Petrik

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[Bruna Velon]

Ressignificar espaços e materiais, um dos desafios das mentes artísticas. Já imaginou costurar um tricô para vestir árvore ao invés de gente? Já pensou em agasalhar um poste? A Leticia Matos já. Há quatro anos, o que faz da vida a gaúcha é tricotar. Começou ao acaso, pendurando 13 bolinhas coloridas na árvore de uma praça em São Paulo, onde vive. Nos 13 dias seguintes, até seu aniversário chegar, fez o mesmo em ruas onde moravam amigos. E o número do azar deu sorte. Ali surgia o 13 Pompons: intervenções urbanas feitas com linhas e agulhas, que já quebraram os paradigmas do tricô em mais de 300 suportes Brasil afora.

“A gente está acostumado a ver a avó ou a tia fazendo crochê. Te faz lembrar algo que está dentro de casa ou no corpo, mas a gente pode ver isso de outra forma. Quem disse que crochê é só para roupa? Isso é um pensamento engessado”, explica Letícia enquanto veste de cores fluorescentes uma árvore na Praça Itália, no Centro, onde até sexta rola a ocupação Quintal, com assinatura do coletivo SerHurbano.

Cada trama pode durar em média de seis meses a um ano, dependendo das interações da obra com as condições adversas às quais estão submetidas as artes públicas. E é por isso que Leticia não sabe se suas peças ainda estão inteiras na Lagoa, no Morro da Providência, em Botafogo e Ipanema, por onde já costurou. Quem vir o trabalho dela por aí, pode fotografar e marcar #13pompons e #instapompons no Instagram, e deixar registradas toda sua beleza e delicadeza.

“O tricô de rua não leva assinatura, não tem tag, nada. É a identidade visual mesmo que conta, a valorização do material e do trabalho manual. Hoje em dia é tudo digitalizado, feito em série. Meu trabalho é uma experiência, leva tempo para ser feito”, conta Leticia, que vive fazendo projetos de decoração e cenografia (conheça aqui) e ensinando suas habilidades com o “crochetear”, que aprendeu com a mãe quando tinha oito anos. Assim, ela passa sua paixão para outras gerações, faz as ruas ficarem mais bonitas e ainda deixa as árvores e postes mais quentinhos para o inverno que acaba de chegar.

Agenda_Galeria Urbana

Quintal: para ver ao vivo e a cores os 13 Pompons, até sexta-feira (26), o coletivo SerHurbano ocupa a Praça Itália, no Centro, com arte, música e feiras de comidas orgânicas, locais e sustentáveis. Os encontros rolam das 11h até o happy-hour. Nas fotos deste post, além do trabalho da Letícia, estão também algumas fotos de Henrique Madeira e Rapha Silva, expostas em varais.

VI Multigrab Expo Shapes: skate e grafitti fazem o universo da exposição que acontece até 31 de julho no Galpão das Artes da Comlurb, na Gávea. Marcelo Ment, SWK, Madruga e Bruno Big, entre vários outros, grafitaram o entorno do Galpão.  Na galeria, o o trabalho dos artistas convidados: Camiz, Bella, Andrea Paula, Iogs, Memi, Fame, Cash, Guga Liuzzi, Wolmin, Muda, Henrique Madeira e mais.

I Coletiva de Arte Urbana GaleRio: Acme, Airá OCrespo, Carlos Bobi, Dante Urban, Davi Baltar, Davi Rezende, Denne, Dwin, Ema, Gil Faria, Kaja Man, Marcelo Lamarca, Mario Bands, Meton, Pirata Grafiteiro, Rafo Castro e Rafael Se7 são os nomes da primeira exposição do Espaço GaleRio, inaugurado este mês. O casarão sob a tutela do EixoRio é a nova galeria de arte urbana da cidade.

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