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Vem aí o Dia da Música!

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Texto: RIOetc

[Galalau] Foto de Clever Cardoso/Divulgação

No Rio de Janeiro, não é nova a discussão em torno da diminuição de palcos e estabelecimentos de pequeno e médio porte que possam abrigar artistas e bandas que dão os primeiros passos na carreira. E se este tema é sensível a você, músico, compositor ou proprietário de uma casa de shows, se liga no Dia da Música!

Inspirado no festival francês Fête de la Musique, que começou em 1982, na França, e é considerado o maior evento musical do mundo, o Dia da Música faz o seu début no Brasil buscando aproximar artistas e palcos em todo o país. Mas corre porque as inscrições chegam ao seu momento final! Pra quem quer tocar, a data limite é o dia 20 de abril. Já para quem tem interesse em receber um show, as inscrições seguem até o dia 5 de maio. E o bacana é que o público é quem vai escolher as melhores bandas e os estabelecimentos com a melhor programação que, no fim, receberão um prêmio em dinheiro.

Além do voto popular, o Dia da Música conta com um timaço de curadores que vai selecionar artistas e bandas para se apresentar em palcos montados nas ruas do Rio e São Paulo. A jornalista Lorena Calábria (Multishow, MTV e OI FM) comenta sobre o desafio do trabalho de curadoria. “É fundamental ter o ouvido “virgem” e se permitir ao prazer da descoberta que a música pode proporcionar, livrando-se de qualquer preconceito”. O músico Gustavo Benjão (Do Amor) afirma que para ter destaque é importante “articular, desenvolver a rede de fãs, ter coragem e calma, ralar muito e procurar descobrir a sua sonoridade, evitando fazer o mais do mesmo”. E para quem quer potencializar o seu trabalho como músico e compositor, o rapper Marechal dá a dica. “Ouça (John) Coltrane mas também leia Brian Tracy”, citando o autor de livros de autoajuda como “As Leis Universais do Sucesso”.

Por e-mail, conversei com o idealizador do Dia da Música, o cineasta Gustavo Steinberg, que falou sobre o festival e de como isto mudou sua vida. “Depois do cinema, o que mais me atrai como manifestação artística é a música”.

Galalau: Me fale um pouco de sua trajetória pessoal e da relação com o cinema até chegar ao Dia da Música.

Gustavo: Estou produzindo meu sexto filme, e fiz isso minha vida inteira. Tenho dois filhos e, quando o segundo nasceu, achei que era a hora de me aventurar por outros caminhos. Criei, então, o Festival de Clipes e Bandas – que já é hoje o maior festival de novos talentos da música e dos clipes no Brasil –, e o surgimento do Dia da Música foi uma continuidade natural.

A Fête de la Musique foi o modelo. Mas o que te motivou a realizar o Dia da Música e quais são os desafios da edição brasileira?

A edição brasileira é bem diferente da francesa, mas o espírito é o mesmo: a música como celebração e força da sociedade. No entanto, aqui estamos focando somente em música autoral (na França tem muitos covers). Vamos ter curadores de palcos produzidos pela organização do evento (isso praticamente não acontece na França) e temos uma plataforma online bem mais robusta do que lá. Ou seja, começamos com alguns anos de atraso, mas com um upgrade e uma proposta mais moderna.

Quais são as estratégias de aproximação com artistas, bandas e público? Por favor, fale um pouco mais do processo de premiação.

Queremos investir no autoral, abrindo mais espaço para esses artistas. Por isso, vamos trabalhar vários níveis: seleção de curadores, que vão programar alguns palcos, seleção de locais (bares, casas noturnas, centros culturais etc), que vão negociar diretamente com as bandas, seleção do público (dois palcos serão escolha do público).

E se o artista não for escolhido por ninguém haverá um incentivo por apresentações com base na Lei do Artista de Rua. Sobre as premiações, pagaremos um cachê de R$ 1.000 àquelas chamadas pelos curadores, no dia 21 e, para as chamadas pelo Circuito Off, no dia 20, ofereceremos dois prêmios de R$ 5 mil para as mais bem avaliadas. Haverá também eventuais cachês oferecidos pelos locais (a negociação no Circuito Off é feita diretamente entre locais e bandas. Nós cuidamos apenas da liberação dos direitos autorais no Ecad, da divulgação e da plataforma, é claro). É mais uma maneira de incentivar a participação nesse grande evento.

O que você diria a quem deseja participar do festival recebendo um show?

Aos locais que convidarão bandas, gostaria de transmitir a eles as vibrações do que é a Fête de la Musique. É muito incrível o aspecto autoorganizado do evento. Os locais realmente arregaçam as mangas e fazem muitos shows. Nós só estamos dando uma mão a partir da nossa plataforma mostrando quais bandas existem, de quais gêneros etc. Já estamos em contato com algumas bandas que tiveram experiência na Fête de la Musique e no Make Music (a versão americana que acontece em Nova York, e que também nos apoia). Vamos tentar mostrar os caminhos e a beleza da autoorganização para todos. Para dar certo, todos têm de aderir. A primeira edição será fundamental para que os locais percebam como pode funcionar. Acredito que na segunda seja bem maior. Mas me anima ver que o segundo local a se cadastrar no site para convidar shows é em Roraima. É incrível isso!

Por fim, o que você mais deseja ver concretizado ao fim desta primeira edição do Dia da Música?

Mais espaço para shows no resto do ano também. O Dia da Música é só um ponto de partida para isso. Se as bandas se juntarem e mostrarem sua força, a cena independente vai crescer. Tenho muita convicção disso.

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