Ir para conteúdo

Vazio tropical

Fotos:
|
Texto: RIOetc

 

 

aaa

Foto: reprodução

 

[Galalau/Pitada]

 

Diferente do que o título acima pode sugerir, “Vazio Tropical”, o mais novo disco do cantor e compositor Wado, é preenchido imensamente de belas harmonias, detalhes melódicos, toques percussivos e ótimas composições, muitas delas guardadas, ao longo dos anos, em seu baú de preciosidades.

Como não sou crítico de música e aqui escrevo com a sinceridade de um simples apreciador, arrisco a dizer que trata-se de um dos mais bonitos discos de 2013 e, talvez, um dos mais românticos da efusiva produção autoral deste compositor metade catarinense, metade alagoano e com a benção do Cristo Redentor. É que, no Rio de Janeiro, Wado está praticamente em casa, rodeado de bons amigos, muitos deles protagonistas da nova produção da música nacional.

Um destes caras é, simplesmente, Marcelo Camelo, que cuidou integralmente da produção de “Vazio Tropical” diante da impossibilidade de Kassin – o primeiro nome que veio à mente de Wado – em assumir o compromisso por conta da sua agenda requisitadíssima. Acredito que nas mãos de Kassin o disco seria outro, nem melhor, nem pior, somente diferente. Mas a amigável troca me pareceu muito saudável.

Em seu novo trabalho, Wado conseguiu resgatar músicas que ficaram de fora de discos anteriores e são carregadas de lirismo e certa melancolia. Combinação perfeita com a estética autoral de Camelo. O resultado pode ser ouvido em canções como “Rosa”, onde Mallu Magalhães faz a segunda voz, de composição a quatro mãos com o carioca Cícero. Este ainda faz parceria em composição e voz em “Zelo” e também em “Canto dos Insetos”, de autoria de Wado, Cícero e Momo. Marcelo Frota, o Momo, é, por sua vez, autor de “Flores do Bem”, a única de “Vazio Tropical” que Wado não compôs.

Mas a parceria com Momo vem logo a seguir em “Tão Feliz”, composição de seu disco “A Estética do Rabisco” (2006), e que conta com a voz de Marcelo Camelo. Aliás, o eterno hermano é onipresente tocando vários instrumentos no disco (guitarra, baixo, vibrafone, percussões) e, como dito, na produção que também seguiu para terras portuguesas na cia de Fred Ferreira, baterista do Buraka Som Sistema, grupo que mistura a música eletrônica europeia ao tradicional ritmo do kuduro angolano.

Há ainda composições em parceria com o cantor e compositor uruguaio Gonzalo Deniz em “Carne”, o guitarrista Vítor Peixoto em “Primavera Árabe” e com Adalberto Rabello Filho, do grupo paulistano Numismata, em “Cais Abandonado”, a penúltima música antes de finalizar com o curto tema instrumental que dá nome ao disco. “Vazio Tropical” vai para as prateleiras em julho, pelo selo Oi Música, mas pode ser ouvido na plataforma Rdio. Mas dá pra conferir, ao vivo, dia 20, no Espaço Cultural Sérgio Porto.

Comentários