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Uma pitada de Bárbara Eugênia

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Leo Gadelha/Pitada]

O vírus da melancolia se espalhou entre os artistas da novíssima música brasileira. Aparece em variados tons, como no indie-sambinha feito por Marcelo Camelo, na bossa-rock de Nina Becker, no folk-florido de Tiê e na psicodelia-tropical do Cidadão Instigado. E, agora, na voz rouca da morena Bárbara Eugênia. Com rosto delicado e jeito de menina, a carioca desfaz-se do estereótipo de cantora fofa num rock visceral, à la PJ Harvey, registrado em seu primeiro álbum, “Journal de BAD” lançado em 2010 e que vai além, muito além, do grupo de adjetivos tolos que insistem em rondar as chamadas “novas cantoras”.

Nele, a cantora fala sobre rompimentos, decepções e vaivéns do amor, em letras que assume serem autobiográficas –ainda que algumas ganhem “floreios”. Assim, o disco abre com “Agradecimento”, ao ex-marido, cuja separação levou-a a deixar o Rio há cinco anos. “A Chave” trata de típica reação masculina: a do rapaz que foge quando a moça fala de casamento. Nada como saber rir sobre a causa de nossas tristezas. Suas confissões são embaladas por rockinhos de todas as nuances, do iê-iê-iê a Tropicália e do rock francês ao italiano. Nessa jornada, ela segue em companhia de Tom Zé — com quem divide os vocais em “Dor e Dor”-, Otto, Pupillo e Dengue (Nação Zumbi), Junio Barreto, Karina Buhr e Tatá Aeroplano.

Aos produtores Jr. Bocca e Dustan Galas, coube criar para cada faixa um clima diferente – indo da fossa total de “Dos Pés” à lisérgica “Drop the Bombs”. A atmosfera que envolve a música da Bárbara lembra coisas delicadas, românticas e, ao mesmo tempo, um rock daqueles Cantar é importante, mas ter algo a dizer é mais importante ainda.

Seu caminho começou a se desenhar em 2007, ao encontrar o produtor Apollo 9, que a chamou para cantar na trilha sonora do filme “O Cheiro do Ralo”, de Heitor Dhalia. Em seguida, participou de um projeto do guitarrista Edgar Scandurra interpretando músicas de Serge Gainsbourg e dos shows do 3NaMassa. Devidamente enturmada, Barbara pôde, enfim, abrir o coração. Bem longe da bossa.

E o melhor vem agora: o primeiro show em solos cariocas de Bárbara Eugênia será ao lado da Festa Pitada, no dia 09 de dezembro (sexta que vem!), no Rival +Tarde. Espalhem por aí e mandem seus nomes para [email protected] para pagar R$ 20 de entrada. Vai ser elegante!

 

 

Bárbara Eugênia – O Tempo from Bárbara Eugênia on Vimeo.

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