Ir para conteúdo

Todos os beats (e bads) da Duda

Fotos: Bel Corção
|
Texto: RIOetc

@dudabeat

Dizem as (boas) línguas por aí que o sotaque pernambucano é afrodisíaco. Quando vem acompanhado de uma boa melodia e carisma, melhor ainda! O novo disco da Duda Beat tem todos esses ingredientes e mais: composições que falam de amor, sofrência e empoderamento. “Sinto Muito” será lançado hoje e já tem até show de estreia marcado, dia 08 de junho no Sergio Porto. No início dessa semana, a artista lançou o clipe de “Bixinho”, faixa mais pop e chiclete do álbum. Conversamos com a pernambucana sobre a vinda de Recife, suas bads amorosas e influências na música.

Você é inegavelmente pernambucana. Como você veio parar aqui no Rio? 

Eu saí de Recife com 18 anos. Terminei o científico lá e queria ser médica. Como todas as férias eu passava aqui no Rio, eu decidi vir já que na minha cabeça ia ser mais fácil realizar esse sonho porque eram quatro faculdades públicas aqui, em Recife só tinham duas. Tentei vestibular por sete anos e não passei. No oitavo ano eu decidi que precisava escolher alguma coisa, minha nota também não deu pra Direito e então fiz Ciência Política, porque como a grade era parecida, eu ia pedir transferência depois. Comecei a pegar matéria de Direito e achei insuportável, amei Ciência Política. Me formo agora no meio do ano.

E como você começou a cantar profissionalmente?

Quando eu tinha mais ou menos 13 anos, eu cantei na Igreja. Era eu e mais três meninas e eu fui a única que ganhei um solo. Quando eu comecei o científico, eu fiz uma banda no colégio e toda sexta a gente se apresentava no recreio. Nessa época, meu apelido era “cantorinha”, eu morava a uma quadra do colégio e minha mãe conseguia me ouvir e sempre comentava “você cantou muito hoje, hein”. A gente cantava Claudia Leitte, Ivete Sangalo, O Rappa. Nesse meio tempo, a banda ficou conhecida como 5 minutos, porque a gente só fez uma apresentação depois em um barzinho, mas nunca mais rolou. Eu fui backing vocal do Castelo Branco por um tempo, ele é super meu amigo. Isso no primeiro disco dele, em 2013. Como eu tava estudando muito e ele foi morar em SP, eu não continuei. E sofrer de amor era algo muito recorrente pra mim, esse tempo todo. Todo tempo que estive aqui no Rio eu sofri de amor. O tempo que eu tentei medicina, eu tentei o maluco que eu queria. Passei sete anos tentando.

O que era mais difícil, vestibular de medicina ou namorar esse cara?

Eu acho que era namorar ele! (Risos) As coisas que só dependem da gente mesmo são mais fáceis. Passei sete anos ficando com ele e sempre tive a promessa que iríamos namorar, eu era uma boba e sofria muito. Sete anos depois ele rompeu comigo. Três meses depois me apaixonei por outra pessoa, e ambos são músicos. Fiquei três anos também com ele sem querer nada comigo. Ou seja, no total foram 10 anos sofrendo. Nesse momento que eu tava muito mal, uma amiga falou de um retiro espiritual que ela tinha acabado de voltar e disse que seria muito bom pra mim. Precisava ficar dez dias sem falar, apenas se alimentando de comida vegetariana e meditando, mas fui e mudou minha vida completamente. Como eu já tinha sofrido muito e tinha escrito muitas coisas, quando eu tava lá tive esse insight: eu sempre me apaixonava por músicos, eu tinha que resolver alguma coisa. Talvez eu tivesse que ser a cantora nessa história, eu tenho que pegar esse lugar pra mim. “Se eu admiro tanto esses caras que estão no palco, no dia que eu me tornar uma pessoa assim, talvez eu cure isso”, pensei. Quando eu voltei, meu amigo Tomás Tróia, que é um grande arranjador e compositor e que tinha ido morar em SP, voltou pro Rio. Eu mostrei as músicas pra ele e assim começou. Isso no final de 2015, e em 2016 começamos a trabalhar no disco mesmo. Seria o primeiro disco que ele iria produzir e agora vai ser lançado! Foi feito com muito carinho e muito bem pensado. No meio desse processo, eu ia muito pra casa dele e ele se apaixonou por mim. No início eu achava que não ia dar certo, que ele era meu amigo. As pessoas até brincam hoje com isso, quando querem driblar algo dizem “ah, Tomás é meu amigo!” (risos). No final eu percebi que o que eu mais queria nessa vida era que todos esses caras que eu fui apaixonada, tivessem me dado uma oportunidade. Por que não vou dar uma oportunidade pro meu amigo? No começo foi estranho, mas hoje sou a-pai-xo-na-da por ele!

E agora que você tá apaixonada, vai lançar um álbum de sofrência? 

É que a minha sofrência, no fim das contas, se transformou em um disco de superação. Eu to sofrendo, mas to rindo demais disso. Foi uma superação de fato. As letras são muito pessoais, todas escritas por mim. Mas acho que é um pessoal universal, todo mundo que já sofreu de amor vai se identificar. Tem muito empoderamento, eu to rindo de mim, to empoderando outras mulheres, ajudando a se libertarem disso, a descobrir que a vida é maior. Quando eu menos esperei, meu amor tava do meu lado e eu não sabia. Espero que isso toque todas as mulheres que vão ouvir.

Como você chegou na sonoridade e tom do disco? Porque as letras já estavam prontas.

Eu até brinco com as minhas amigas dizendo que se for pra entrar nessa, eu quero ser famosa. Seria falso. Eu quero que muita gente escute minha música e isso eu levei muito em conta na composição com o Tomás. Eu trouxe muitas influências pra ele e já chegava lá com a melodia também. Os arranjos que são dele, a ideia de inserir o violino também, mas a melodia é minha. Foi muito natural, sentimos de música em música. E como gostamos das mesmas coisas, dos mesmos cantores, foi fácil.

Quem são suas referências?

Sevdaliza, Frank Ocean, Caetano, Lenine, Maracatu. O beat não veio à toa. Uma das maiores referências da minha terra é o manguebeat. Eu queria misturar a minha brasilidade, que eu acho que já está muito na minha voz, por ser nordestina, com influências do brasil e de fora do pop. Eu amo Kendrick Lamar, mas eu amo Alceu Valença, sabe? Eu quis trazer esses universos pra dentro do meu disco. É bem pernambucano e bem pop mundial.

Sua voz não deixaria ser diferente, né?

Exatamente. E toda vez que fiquei preocupada de estar muito americanizado, Tomás dizia: “não, Eduarda, quando você cantar todo mundo já vai saber que não é americanizado. Fica tranquila!”. Brega também é uma referência que trouxe da minha terra.

Beat vem do movimento manguebeat?

Duda de Eduarda. Beat do movimento da minha terra e porque é uma música pra dançar. Por mais que esteja falando coisa triste, eu quero que as pessoas se divirtam com aquilo. Inclusive tem uma música no álbum que é a “Bad beat”, porque é isso, pra galera ficar animadinha. Tem uma que acho que todo mundo vai chorar, que é a que eu choro, “Back to bad”. “Todo carinho” é a mais apaixonada, que fecha o disco e que dá margem pro próximo. Não sei se no próximo falarei de amores concretizados, até porque ainda tenho muitas músicas de coração partido, mas eu já estou tratando de fazer músicas de coração animado. Eu até falei pro Tomás que no segundo disco ainda teria músicas de bad, mas que a última vai ser pra ele.

As músicas desse disco você já toca, né? Alguma vai ser inédita?

Sim, eu já toquei todas e foi muito importante pra mim, eu aprendi a me comportar no palco. Hoje em dia eu sei o que é bom pra mim. É tudo uma descoberta, eu aprendo a cada dia nas aulas de canto, no palco. Já cantei todas e achei o feedback muito bom. Acho que toda vez que eu subo no palco eu tô melhor. Hoje consigo ficar mais livre.

E a medicina? 

O melhor disso tudo é que hoje em dia eu vejo sangue e passo meio mal! (Gargalhadas) E meu irmão mais novo se forma em medicina em um ano. Tá tudo no seu lugar, era pra ser!

 

Comentários