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Super Violão Mashup

Fotos: Bel Corção
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Texto: Vivian Melchior

“Quase um gênero musical num país de Joões – Gilberto e Bosco -, Dorival e Gil, o formato voz e violão sintetizou muitos brasis, e é parte essencial da história da nossa música.”. Esta é a frase de abertura do release do Festival Super Violão Mashup, que rola neste momento na cidade, seguindo seu segundo final de semana de encontros. Assinado por Julianna Sá, curadora do evento, a ideia é ressignificar o tão conhecido ‘banquinho e violão’ em outra proposta: violões e sintetizadores lado a lado, trabalhando juntos em uma releitura do formato tradicional.

Serão seis shows (dois já aconteceram no último final de semana), realizados no Oi Futuro Ipanema, cada um marcado por um encontro entre um artista e um produtor do cenário contemporâneo. O objetivo é descobrir – no palco e com algumas improvisações, claro – as múltiplas possibilidades da música: possibilidades essas promovidas pelo momento do aqui-agora e em prol da boa música brasileira.

Batemos um papo com a Julianna, que nos contou um pouco sobre os pormenores do projeto. Hoje, às 21h, rola o terceiro show com Qinho + Badsista. Aliás, são eles nas primeiras duas fotos depois da Julianna (seguidos de Jonas Sá + Arthur Nogueira, dupla que se apresenta amanhã), gravando em estúdio o EP que promete ficar pronto ao final do festival. E o melhor? Estará disponível na internet pra todos baixarem gratuitamente.

Como surgiu a ideia de criar o Super Violão Mashup?

Eu diria que o Super Violão Mashup se deu – a ideia se concretizou – através de dois processos: o primeiro deles é o Festival Dobradinhas e Outros Tais, que teve uma edição em 2013, uma em 2014 e outra em 2015, e que tinha como proposta reunir no palco dois artistas novos, sem suas respectivas bandas, pra que juntos eles construíssem o show. Então a ideia de promover encontros desse tipo vem daí, sem dúvidas. O segundo está diretamente ligado ao disco “Sem Nostalgia”, do Lucas Santtana, que fez, em estúdio, uma releitura desse violão. No trabalho, onde ele gravou a faixa “Super Violão Mashup”, que batiza o projeto, ele reinventou o formato por diversos caminhos, explorando estéticas e possibilidades diversas do formato voz e violão. O que o Super Violão Mashup traz de diferente do disco é propor isso através de duplas, de encontros, e principalmente levar esse processo para o palco, ao vivo, com essa releitura se dando diante do público.

Você já tem algum histórico musical? De onde surgiu o interesse?

Sim, eu trabalho com música desde outubro de 2009. Foi quando, ainda estagiária, entrei para MPB FM. Lá, desenvolvi um caminho calcado principalmente na cena musical brasileira surgida após os anos 2000, a cena “independente”. Comecei fazendo o roteiro textual do Faro MPB, depois comecei a fazer entrevistas, e por fim, programava o programa. Quando saí da rádio, em 2013, abri a Dobra, empresa que agencia, produz e assessora alguns artistas, além de desenvolver alguns projetos de música. O Festival Dobradinhas é um deles, o Festival Circuladô – que percorreu os coretos da cidade no fim de 2016 – é outro, e o Super Violão é a cria mais recente, todos feitos em parceria com produtores que vem repensando a cidade, o modo de produzir cultura, como o Philippe Baptiste, da Areia Produções, o Gregório Tavares, da FazFazendo, entre outros parceiros como a produtora Mariana Borgerth, o produtor e músico Brunno Monteiro… Acho que o interesse de fazer o que faço – o que fazemos, por fim – é realizar eventos de uma cena cultural que queremos viver, é fazer projetos que estejam alinhados ao que acreditamos ser importante, é fomentar e, de certa forma, criar um pouquinho da cena cultural que desejamos viver e frequentar.

Qual foi seu critério de escolha desses artistas?

A curadoria do projeto é bem diversa, e tem a ver com interesses e percepções múltiplas dos agentes dessa chamada nova música brasileira. São artistas que estão criando, seja no violão, seja na produção, trabalhos interessantes, relevantes, mas acima de tudo, instigantes. Há particularidades mil em cada um dos violões do projeto, assim como em cada um dos produtores. Mas mais do que pensá-los individualmente, o que tentei fazer foi pensar os encontros, que potências poderiam ser geradas a partir da troca de um com outro, acho que esse é o ponto central na hora de pensar os 12 nomes que estão no projeto.

Aqui você encontra a programação completa dos shows.

 

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