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RIOetc Musical: Zé do Acordeon

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Texto: RIOetc

[Por Léo Gadelha/Pitada]

Como tantos outros brasileiros que lutam por uma vida melhor, o estofador José Adriano passou por situações difíceis e conseguiu encontrar sua saída na música. Zé do Acordeon é figura conhecida pelos cariocas nos ônibus da cidade e toca também em escolas, bares e festivais em todo país.

Zé do Acordeon é o típico artista popular brasileiro. Aprendeu a tocar sozinho seu instrumento ainda na infância e somente por observação. Natural de Petrópolis, ele é o mais velho de uma família de oito irmãos. Ainda solteiro, seu pai prometeu que daria a sua sanfona de oito baixos para o primeiro filho que lhe nascesse – e Zé foi o privilegiado. Aos cinco anos começou a explorar o instrumento, escondido do pai e, assim que conseguiu tocar uma música, mostrou para ele que, de tão emocionado, chorou. A partir daí não parou mais de tocar. Em Petrópolis, se apresentava semanalmente em um programa de rádio chamado ‘Clube do Guri’ e, ainda adolescente, chegou a estudar acordeon, mas não pensava em ser músico profissional, tanto que se especializou em estofador e veio morar no Rio, montando uma pequena empresa.

O negócio acabou mal e Zé perdeu toda a sua freguesia, ficou cheio de dívidas, sem lugar para morar e passou fome. Conseguiu se instalar em uma hospedaria que cobrava R$ 7 por dia, mas chegou um momento que também não conseguia pagar mais por isso. Não sabia de onde tirar dinheiro. Numa ida ao Centro do Rio para comprar tecidos para forrar sofás, viu um acordeon exposto em uma loja e pensou que poderia conseguir seus sutento tocando.
Pegou dinheiro emprestado com o patrão do seu filho e comprou o instrumento. Num primeiro momento, ficou sem saber se abria e tocava ali mesmo, se ia para uma praça ou para a porta um botequim. Daí veio a inusitada idéia:  tocar no ônibus. Entrou no primeiro que passou, falou para o motorista que estava desempregado, com fome e sem um centavo, e o motorista o liberou imediatamente para entrar. Naquele primeiro curto trajeto conseguiu ganhar R$ 50! Feliz da vida, desceu na Av. Presidente Vargas, entrou em um restaurante e comeu até ficar barrigudinho. Isso foi há onze anos e, a partir daí, nunca mais parou.

Zé costuma tocar vários estilos brasieliros como samba, choro, MPB e forró, mas também toca música francesa, portuguesa, espanhola, italiana e por aí vai. Normalmente as pessoas – seja nos ônibus, bares, restaurantes ou festas – pedem para ele tocar as músicas que querem e, algumas vezes, se levantam e  dançam. Tem pessoas que lembram de algo que passou em suas vidas e choram e outras que ficam mais felizes ainda e riem. Enfim, tem de tudo em suas histórias. Certa vez tocou só samba enredo dentro de um ônibus e acabou virando um carnaval tão animado que até o motorista entrou nessa. Conta que tem de cabeça umas 2.500 músicas!

Segundo Zé, o que mais gosta ao tocar seu acordeom é de poder fazer as pessoas felizes. Por várias vezes nos ônibus lhe dizem: “Você alegrou o meu dia!”, e isso sempre o emociona. Se tiver a sorte de encontrá-lo por aí, não deixe de lhe pedir uma música e sorria junto com ele.

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