Ir para conteúdo

RIOetc Musical – Safra tipo reserva!

Fotos:
|
Texto: RIOetc

[Galalau/Pitada]
O título acima refere-se à repercussão, entre público e crítica, do trabalho de Mallu Magalhães. E não à toa. Nos últimos dois anos, com apenas dois albúns lançados, Mallu chegou e se transformou rapidamente de fenômeno digital em figurinha fácil da mídia, inclusive com aparições dominicais no envelhecido Faustão. Neste curto espaço de tempo, já conhecemos duas Mallus: a menina adolescente e a adolescente mulher, o “Mallu Magalhães” e o também “Mallu Magalhães”, discos com o mesmo título porém com caminhos que, se não seguem direções opostas, já sinalizam novos horizontes musicais. Culpa talvez do efeito tão bem aplicado aos bons vinhos: quanto mais envelhecido, melhor. Porém, mais importante que o tempo, o tipo de uva, a terra e a temperatura ambiente são fundamentais para colher uma boa safra. Ingredientes que Mallu reúne com facilidade.
Mallu Magalhães, que incialmente fez muito sucesso impulsionada pelos milhões de acessos a sua página no MySpace, parece saber exatamente o caminho a percorrer, como se já tivesse observado com velha sabedoria o vácuo sonoro que toma conta dos dials país afora. Mas Mallu é precoce mesmo e, como bom vinho, bastante sensível aos elementos que lhe rodeiam. Aos 12 anos de idade já cantava e escrevia suas primeiras estrofes, influenciada, em grande parte, pela paixão do pai pelo bom e velho rock’n’roll. E parece não haver outra explicação para Mallu, três anos depois, se lançar ao mundo com composições próprias cantadas na língua nativa do rock – o inglês – e tanto se parecer com Bob Dylan (descaradamente sua grande referência), Johnny Cash ou Belle & Sebastian. Dessa época, os grandes sucessos da rede foram “Tchubaruba” e “J1”, embalados por sua voz de doce menina e o violão com jeito de roda de amigos à beira da fogueira.
Mas Mallu “envelhece” e caminha livre com o lançamento de “Mallu Magalhães” (2009). Apesar do título homônimo, as diferenças entre os dois discos são marcantes. O primeiro chegou às mãos do produtor Mário Caldato Jr. (Marcelo D2, Seu Jorge e Bebel Gilberto) praticamente pronto. O segundo ganhou a influência direta do músico e produtor Kassin (Caetano Veloso, Vanessa da Mata e Thalma de Freitas), que acompanhou de perto todos os ensaios. O primeiro percorreu os sonhos da menina adolescente no country “Don’t you leave me” e na poética “Get to Denmark”. O disco recém-lançado é preenchido de menos temor e mais amor trazidos pela convivência e namoro com o ex-Los Hermanos Marcelo Camelo, cuja presença é sentida no piano rock de “My Home is My Man” e nos assovios do próprio em “Compromisso”. Além do amadurecimento artístico e pessoal de Mallu, estes dois elementos são suportes fundamentais no seu passeio além-folk rock, com pitadas de metais no reggae “Shine Yellow”, no samba pop de “Versinho de Número Um” e até na delicada – valsa! – “É você que tem”.
Mallu Magalhães, passou com louvor no temido teste do segundo disco, tanto que de independente chegou a uma “major” como a Sony Music. Mas isto é enfaticamente por merecimento. Mallu faz jus à barulheira da mídia e fãs com seu sucesso precoce e mostra não só aos donos do mercado fonográfico como também aos seus consumidores que o binônio talento artístico/trabalho depurado (afinal, ela começou cedo!) sacode qualquer estrutura empoeirada.
Set list para ouvir no iPod no embalo de Mallu:
Mallu Magalhães – “Nem fé nem Santo”
Thalma de Freitas – “Tranquilo”
Bob Dylan – “It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry”
Bebel Gilberto – “Mais Feliz” (Monoaural Remix)
Johnny Cash – “Rusty Cage”
Marcelo D2 – “Re-Batucada”
Vanessa da Mata – “Fugiu com a Novela”
Caetano Velloso – “Musa Híbrida”
Belle & Sebastian – “Funny Little Frog”

Comentários