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RIOetc Musical – Ih, faltou luz!

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Texto: RIOetc

[Por Galalau/Pitada]
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O assunto da semana, o apagão em meio país, foi a fonte inspiradora do RIOetc Musical desta semana. Como as explicações foram nebulosas nos dias seguintes ao blecaute, fui buscar uma luz na música e, invariavelmente, me deparei com canções desfiando o rolo do eterno viver, suas alegrias e tristezas, seus amores e paixões. Tom Jobim, Dominguinhos, Cássia Eller, Fabiana Cozza, Jussara Silveira, todos, de uma forma ou de outra, esbarram na finitude da vida, seus ganhos e perdas, na felicidade e solidão, medo e coragem. Descobri que a luz, em diferentes sentidos, é fonte profunda de inspiração e as canções indicam que bom mesmo é ouvir no escurinho.
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1) Affonsinho – “Escândalos De Luz”
ZumZum, lançado em 2000, é o terceiro disco do mineiro Affonsinho, ex-integrante do grupo Hanói Hanói. Basicamente acústico, gravado apenas com voz e violão (Affonsinho), baixolão (Ivan Corrêa) e percussão (Bill Lucas), ZumZum tem a elegante mistura do pop com a intimidade sofisticada da bossa nova. O disco traz a participação de Fernanda Takai em “O amor não acaba pra quem é do bem” e do filho de Affonsinho, Frederido Heliodoro, na época com 13 anos, que compôs e gravou o reggae litorâneo “Achar um coração”. Em “Escândalos de Luz“, Affonsinho faz uma ode ao amor e a beleza, preenchida de perfume e da brisa do mar que conduz pro que a vida tem de melhor: a felicidade. Mas só pra quem quer!
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2) Angela Rô Rô – “Mestre Luz”
Cantora de voz rascante e risada inconfundível (daí seu apelido), Angela Rô Rô expõe em “Simples Carinho” (1982) todas as angústias e emoções confusas de uma artista perseguida pelos escândalos e pela caretice reinante da época. “E eu apresento a vocês, mais do que nunca exposta, a mulher criadora, criatura encantada, fascinante, seduzida e abandonada e feliz por ser achada em um estado de graça óbvio dos poetas” é a frase de boas vindas de Angela Rô Rô no encarte do disco. A “maldita” Rô Rô responde aos críticos com muito blues em “Quem me quiser” e no grande sucesso “Simples Carinho” (Abel Silva e João Donato) que tomou conta do dial no início dos anos 80. Em “Mestre Luz”, de sua autoria, Angela Rô Rô explode num cabaret jazzy rock onde o prazer e a dor caminham de mãos dadas.
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3) Arnaldo Antunes – “Luz Acesa”
Homenagem à Jovem Guarda? Memórias de infância?? Saudades dos Titãs??? “Iê, Iê, Iê”, novo disco de Arnaldo Antunes, é tudo isso ou simplesmente rock n’ roll! O nome remete aos tempos onde não existia melhor definição para o ritmo das festinhas onde meninas se apaixonavam por rapazes topetudos com jaquetas de couro e suas lambretas. Roberto, Erasmo e o pessoal da Jovem Guarda devem se deliciar ouvindo faixas como “Aonde você for”, “Envelhecer” e “Um Kilo” onde o órgão de Marcelo Jeneci e a guitarra de Edgar Scandurra, companheiro onipresente desde a saída de Arnaldo dos Titãs, ditam o ritmo. Em “Luz Acesa“, composta há mais de 10 anos com os amigos Marcelo Fromer e Sérgio Britto, Arnaldo mostra de onde veio: os Titãs do Iê, Iê, Iê!

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