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RIOetc Musical – Bendito é o fruto das nossas mulheres!

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Texto: RIOetc

[Léo Gadelha / Pitada]

Ao darmos aquela chacoalhada na árvore das boas alternativas da música brasileira, não caem apenas frutos, mas cantoras – e às pencas. Elas cantam e compõem bem, têm referências musicais extensas e sem preconceito, são charmosas e carismáticas e estão preparadas para encarar as mudanças latentes no mercado musical. Essa profusão de novos talentos, que ostentam os mesmos predicados, por vezes lança equívocos e, desses, poucas escapam. É o caso de Céu, Clara Moreno e Mariana Aydar. As três recém-lançaram álbuns com mais identidade, mais estilo e mais feminilidade do que seus bem-sucedidos antecessores. Quem ganha é o fã da música brasileira: enquanto outras se estapeiam por um lugar ao sol, Céu, Clara e Mariana sorriem com a certeza de que vieram para ficar.
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1) Céu – Visgo de jaca
Existem bons motivos na complexidade e profundidade na música de Céu. Mesmo que as músicas do seu segundo álbum não fossem boas, a ousadia da cantora já garantiria respeito ao trabalho. Afinal, quantas novas cantoras têm musicalidade para fazer um álbum tão complexo quanto “Vagarosa”? Tudo soa orgânico, num suspiro de sensualidade e presença. É indiscutível que sua música expressa a alma brasileira com muita feminilidade. A faixa “Nascente” é inegavelmente brasileira, mas não se faria estranha dentro de um álbum do trio Portishead. Dentre as releituras, “Visgo de Jaca” é um clássico samba de Martinho da Vila da década de setenta que fez sandálias arrastarem e o Circo voar no mês passado.
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2) Clara Moreno – Deixa a nega gingar
No seu primeiro álbum, “Meu samba torto”, Clara Moreno foi apresentada como a filha da cantora e compositora Joyce e que começou a carreira com um álbum promissor e bem produzido. Com “Miss Balanço“, Clara afirma sua liberdade musical com ousadia e frescor. Sua voz e interpretação estão mais soltas e autênticas, cercadas por arranjos complexos, e temperadas por melodias que riscam o salão. Seus sambas preenchem os espaços onde se reverencia a tradição e se apresenta a novidade. “Deixa a nega gingar” justifica o título do álbum com um ar pop irresistível e indisfarçavelmente contemporâneo.
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3) Mariana Aydar – Pras bandas de lá
“Peixes Pássaros Pessoas” é um álbum para pistas, salões e quintais, onde o samba predomina e ao mesmo tempo tem seus domínios extrapolados. Os sambas de Mariana aparecem salpicados por cavaquinhos, violões de sete cordas, tamborins, reco-recos e ganzás que convivem harmoniosamente com teclados, guitarras e baixos sintetizados. Mariana consegue resultados arrebatadores em temas como a luxuriosa “Beleza”, num dueto com a cabo-verdiana Mayra Andrade, onde Mariana exalta o calor que a mantém acesa. E que casa maravilhosamente bem na sequência com o melhor samba do disco, “Aqui em casa“, em parceria com o namorado Duani, que tem pinta de samba para a história e que será lembrado por ter inaugurado um assunto. “Pras Bandas de Lá” é um samba-marcha com uma irresistível pitada tropicalista e com o sabor da mulher brasileira. Aproveita a dica para este sábado (21/11) à noite, no Estrela da Lapa!

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