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Máquina do tempo

Fotos:
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Texto: RIOetc

Imagem: reprodução

[Galalau/Pitada]

A ciência ainda não conseguiu, mas já é possível dar saltos atemporais. E para fazer uma visita rápida ao soul feeling da virada dos anos 60 para os 70, basta dar play em “Victim of Love”, segundo disco de Charles Bradley, lançado este ano.

Americano da Flórida, Bradley cresceu no Brooklyn, Nova York, onde viveu sob imensa pobreza ao lado da mãe que o havia abandonado, anteriormente, com poucos meses de vida. Adolescente, fugiu das dificuldades para colocar o pé na estrada passando por diferentes cidades americanas, e até o Alaska, para firmar pouso na Califórnia. Vinte anos depois, em 1996, Bradley voltou ao Brooklyn a pedido da mãe e, enfim, passou a fazer shows em bares e pequenos clubs imitando um de seus grandes ídolos: James Brown.

Esta epopéia pessoal e o início na indústria fonográfica, em 2002, após ser descoberto pelo selo Daptones Records, estão inseridos no enredo do documentário “Soul of America”, lançado no SXSW Film Festival de 2012, em Austin, Texas. Aclamado pela crítica, Bradley ganhou ainda mais notoriedade após o lançamento do primeiro disco, “No Time For Dreaming”, reunindo alguns singles e regravações de Neil Young e Kurt Cobain.

Este ano, com “Victim of Love”, Bradley deixou de lado as composições amargas e autobiográficas para dar vazão a mais, digamos, leveza. Pero no mucho! “Confusion” – que pode ser conferido nesta incrível performance ao vivo – não é, lá, algo muito soft. Mas é um senhor petardo sonoro apoiado numa guitarra etérea e viajandona enquanto Bradley destila gritos e grunhidos do fundo da alma. E da alma seguem interpretações emocionantes para “Let Love Stand a Chance”, “Where Do We Go from Here?” e a própria “Victim of Love”.

A influência do grande ídolo é inegável em interpretações como em “Love Bug Blues”, “Hurricane” e “Through the Storm”, mas Bradley faz jus ao posto conquistado como o novo e original intérprete da moderna soul music americana.

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