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Lila livre para voar

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Galalau]

Diga 33. Não, isto não é um teste. Mas para a cantora Lila, que acaba de lançar um EP homônimo onde se revela também compositora, o número é a afirmação de um tempo de grandes mudanças pessoais e artísticas.

“Em março, completei 33 anos. E este foi um momento muito simbólico, pude perceber uma grande força de transformação, aprendi a escolher e entendi que todas as escolhas têm um fim. E o resultado é que você não é algo rígido mas está, simplesmente, naquele lugar, naquele momento e que tudo pode ser diferente logo a seguir”.

Aprendizado que Lila condensa neste novo trabalho após experiências com o repertório de Chico Buarque no Mulheres de Hollanda, a divisão em família do Quarteto Primo, o passeio pela bossa nova para a gravadora Albatroz, de Roberto Menescal, e ainda seu primeiro disco, Pé de Dança, lançado em 2006, em que assinava como Eliza Lacerda interpretando canções de Lenine, Caetano Veloso e Carlinhos Brown.

“Neste trabalho, aconteceu um amadurecimento artístico, aprendi que a música não está no papel, que a cantora não é só afinação, é tudo mais livre e menos rígido. Este disco foi uma possibilidade de voar porque digo as coisas do meu jeito, na hora que quero dizer. Em trabalhos anteriores, eu não tinha a expressão livre como cantora, de pensar no conceito do disco. E o Pedro (Moura) me ajudou bastante nesta formatação do trabalho propondo inclusive a mudança de nome. Num primeiro instante eu talvez tenha estranhado mas depois fez sentido por conta deste novo momento, ficou muito natural”, afirma Lila, lembrando das conversas com o namorido e diretor artístico do disco, também conhecido pelo trabalho de Cartiê Bressão e com quem já apareceu por aqui.

Com apenas seis canções, o EP abre com “Strobo”, que tem inspiração rítmica no afrobeat, e “Bicheiro do meu Samba”, que Lila compôs com o cantor (e primo) Matheus von Kruger e o multiinstrumentista Lucas Vasconcellos, que assina também a produção do EP ao lado de Iky Castilho. “Dinda” traz as “coisas de Minas”, de onde é parte da família de Lila e também o compositor João Bernardo, “Ao Passo” é um poema de Pedro Rocha em homenagem ao poeta Chacal, seguida de “Aparição”, um ijexá de André Carvalho que ganhou a pressão da batida funk, e “Paisagem”, de Alberto Continentino e Domenico Lancellotti, num arranjo meio ula ula com toque de guitarra slide.

“Eu sempre tentei compor e isto foi uma grande conquista. Além disso, aprendi muito no estúdio com o Iky que, quando chegou, mexeu bastante nas músicas, e com a criatividade do Lucas que até na hora da mixagem tinha novas ideias. No início, este universo de possibilidades no processo de gravação me enlouquecia um pouco mas depois entendi e me acostumei”, lembra Lila.

Para encerrar o nosso encontro, pergunto sobre a relação de Lila com o Carnaval carioca já que por anos ela integrou o Bloco Bangalafumenga, foi eleita musa em 2012 pelo jornal O Globo, e é uma das intérpretes do Bloco Fogo e Paixão.

“O Carnaval é sagrado pra mim, eu me sinto feliz como pinto no lixo. É uma paixão que herdei da família que participava ativamente da folia de Ouro Preto, em Minas. E o Fogo e Paixão tem esta chama, todo mundo ali é muito carnavalesco. É gostoso cantar pra tantas pessoas, será sempre uma experiência muito especial e acho que difícil de repetir no meu trabalho solo, a não ser que eu venha me tornar uma cantora muito popular. É um prazer meio Ivete Sangalo de ser”, brinca Lila, que faz shows em maio no Rio e disponibilizou o EP para baixar gratuitamente em seu site.

PS: Outra dica: aí à direita você pode dar play na nossa Rádio RIOetc – acaba de entrar programação nova no ar!

Fotos: Juliana Rocha

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