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Furando gelo

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

[Galalau/Pitada]

O título foi extraído do papo com Thiago Vedova, 31 anos, curador musical e produtor do Dia da Rua ao lado do cantor, compositor e amigo Qinho, em alusão à imensa dificuldade em encontrar espaços para a apresentação de bandas e artistas iniciantes.

– A partir de 2006, comecei a produzir muita gente boa como Bondesom, Brasov, Os Outros, Tono, Letuce… Foi um período difícil, um trabalho de militância para abrir novos caminhos. Com o passar dos anos, acabei me tornando referência para quem está começando e por conta do trabalho de curadoria, recebo muito material de novas bandas e artistas. Analiso tudo e sempre procuro fazer um equilíbrio entre o que já conheço, e curto, e aqueles que considero boas apostas.

Entre as apostas do Dia da Rua, que foi adiado por conta do mau tempo e acontece no próximo domingo, na orla do Leblon e Ipanema, estão nomes como Mc Sant, Baleia e Castello Branco, estes últimos já anotados aqui pelo RIOetc Musical.

– Quando começamos, eu e Qinho, em 2008, a cidade vivia uma cultura do medo por conta de muitas ações violentas. Fomos pra rua com a vontade de ocupação pela arte que só foi possível com a ajuda dos comerciantes que emprestaram tomadas para ligarmos os equipamentos. Esta será a quinta edição do Dia da Rua, que conta com apoio da Prefeitura do Rio e da Farm, que já é parceira há algum tempo, e planejamos chegar a dez edições.

Além do Dia da Rua, Vedova é responsável pela programação musical de projetos como Veraneio e A.Nota, no Oi Futuro Ipanema, além de curador do Projeto Entre, do Espaço Cultural Sérgio Porto, e Babilônia Feira Hype com a produtora Julianna Sá, do projeto Dobradinhas e Outros Tais. Apesar da intensa atividade, ele está muito atento à escassez de palcos na cidade para novos artistas, principalmente, depois do fechamento do Studio RJ.

– Em 2007, o Cinematheque, junto com o Grupo Matriz, foi um grande parceiro abrigando muitos artistas daquela nova cena, como Jonas Sá, Rubinho Jacobina, Fino Coletivo e o próprio Qinho. A casa fechou mas o Studio RJ abriu em seguida e depositamos muita esperança de que aquele espaço serviria a esta nova geração. Acabou não dando muito certo porque o Rio só funciona no glamour, naquilo que é hype. E as casas de shows acabam se transformando em casas de festas. É complicado.

Mas não é somente a música que toma conta da agenda de Vedova, que ainda tem espaço para as atividades da Matéria Brasil, da qual é sócio, e para as aulas de Geografia na Escola Parque. Thiago se formou pela UFRJ e começou a lecionar após o episódio do ônibus 174.

– Os alunos da Escola Parque ficaram muito chocados com aquilo e resolvemos criar um curso pré-vestibular comunitário que existe até hoje. Para mim, ser professor começou ali mas acho que minha vida tem muito de DNA porque minha mãe é professora e meu pai produtor de eventos. Além disso, sempre penso que esta troca com os alunos é muito positiva. Dou aulas para adoslescentes entre 13 e 15 anos e isto me conecta às novas gerações e suas muitas maneiras de consumir música e adquirir conhecimento.

Experiência que ele aplica nas relações com os clientes da Matéria Brasil – que finaliza um produto para a Copa do Mundo 2014 em parceria com a Fifa – e, posteriormente, da Goma, um espaço de associação interdisciplinar para economia criativa e design sustentável.

– Gosto de trabalhar em diferentes plataformas, ser multidisciplinar é lindo e prazeroso. Mas uma hora vou diminuir o ritmo, penso em família, ter filhos… Não sei ainda pra onde vou caminhar mas se puder seguir conciliando as aulas de Geografia, curadoria musical e minhas ideias junto aos sócios na Matéria Brasil, serei um cara realizado.

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