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Conexão África Brasil

Fotos:
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Texto: RIOetc

[DJ Galalau]

Há mais ou menos um ano, conheci Natasha Llerena na Livraria da Travessa, em Botafogo, entre um café e outro. Tinha visto antes alguns vídeos e me chamaram atenção seu timbre e a expressão corporal. Daí descobri que além de compositora, cantora e violonista, Natasha, 23 anos, completava a formação em dança contemporânea na Angel Vianna.

“É difícil me apresentar paradinha, no palco minha postura tem uma relação natural com a dança, é inevitável”.

Neste sábado, a performance de Natasha Llerena poderá ser conferida, ao vivo, no palco Cidade do Festival Back2Black que chega à sétima edição promovendo o intercâmbio cultural entre África e Brasil. Natasha se apresenta ao lado da angolana Aline Frazão, que tem muitas conexões com a música brasileira, e o cantor e guitarrista do grupo D’Kingz Band, Toty Sa’Med, também de Angola.

Natasha lembra que a parceria com Aline Frazão começou, em 2012, quando cantaram juntas na edição londrina do mesmo festival.

“Fomos apresentadas pelo escritor José Eduardo Agualusa com quem Aline tem algumas composições. Desde então, mantivemos contato. Ela fez mais um disco nesse meio tempo (já tinha um) e eu sempre fui grande admiradora de suas canções, principalmente, de suas letras. Aline é uma grande escritora e sabe unir melodias e palavras de uma forma muito especial” – conta, Natasha.

O palco do Back2Black não é novidade para Natasha Llerena, que é filha de Connie Lopes, idealizadora do festival. Além de Londres, ela também se apresentou na edição brasileira de 2010 à frente do grupo Novíssimos. Mas engana-se que, por este motivo, ela tem moleza.

“Por trabalharem com música e entenderem o mercado (Felipe Llerena, pai de Natasha, é do selo Nikita Music), meus pais sempre me apoiaram. Mas a Connie é durona, portuguesa danada, e sempre disse pra eu batalhar e ir à luta” – frisa, Natasha que, no início do mês, lançou uma campanha no Catarse para viabilizar a gravação do seu primeiro disco.

“Escrevo desde os 17 anos e já tinha mais de 30 composições, a maioria em parceria com o amigo, poeta e sociólogo Lucas Noleto, com quem me identifico bastante. Mas somente agora me sinto preparada, com excelentes músicos ao redor capitaneados pelo Eduardo Andrade que é diretor musical deste trabalho e também do show no Back2Black”.

Comento com Natasha sobre uma certa semelhança de estilo com a cabo-verdiana Mayra Andrade.

“A Mayra é certamente uma referência. Gosto muito do Storia, Storia… (2009), disco produzido pelo Alê Siqueira que também trabalhou com Elza Soares, Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Caetano Veloso. E não tenho receio da comparação porque estou segura da minha musicalidade, é autentico, me reconheço no que faço. Mas percebo que ela faz improvisos vocais que eu gosto também e acabei cortando um pouco para distanciar”.

Por fim, Natasha me surpreende com uma das referências musicais da adolescência que em nada se aproxima de suas composições e da conexão latente com a percussão e poliritmia oriundas da África.

“Eu adorava Britney Spears. Depois, ouvindo Chico Buarque, é que me vi atraída pela canção e a música brasileira”.

Fotos: Tiago Petrik

 

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