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Ainda em Aquário

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Galalau/Pitada]

Semana passada, falei de discos de 2013 que poderiam tornar-se ótimos presentes musicais. Eis que o bom velhinho trouxe uma surpresinha antes ainda da noite de Natal. O grupo carioca Tono vestiu a roupa vermelha de Papai Noel para nos presentear com o download do seu novo e belo disco “Aquário”.

Após as bolachas “Tono Auge” (2009) e “Tono” (2010), a banda retoma seu caminho de experimentações sonoras de forma mais contida e menos ensolarada, porém extremamente bem acabada com a ajuda do experiente Arto Lindsay, que trabalhou na produção do disco. O equilíbrio sonoro entre as diferentes camadas de vozes e instrumentação – excelente trabalho de mixagem de Daniel Carvalho – reflete-se também no equilíbrio das 11 canções compiladas para este disco.

“Murmúrios”, composição de Domenico Lancellotti, abre os trabalhos indicando que a solidão e o amor são a referência dicotômica de “Aquário”. “Sonho com Som”, com a participação de Danilo Caymmi na flauta doce, segue a trilha da ilusão que desemboca em nova composição de Domenico mais o baixista Bruno Di Lullo, “Como Vês”, onde o amor destrói e desbota “as cores nas fotos que ele tocar”.

“Tu Cá Tu Lá” tem o quê da referência tropicalista sempre associada ao Tono num ska levinho e envolvente que desemboca, novamente, na solidão da composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, “Chora Coração” – trilha sonora do filme “A Casa Assassinada”, de 1971 – desconstruída sonoramente na interpretação de Bruno Di Lullo com a voz de Lomelino e Maria Luiza Jobim, filha do maestro. “Leve”, de Rafael Rocha, acredita no poder positivo de um beijo “pra viagem” que “pode ser útil… dar algo que não seja inútil”.

“Do Futuro (Dom)” é uma referência direta à gravidez de Ana Cláudia Lomelino e Bem Gil, que permeou grande parte do período pré “Aquário” e trouxe o futuro do filho Dom ao mundo e determinou, de certo modo, o hiato existente entre o novo disco e os trabalhos anteriores. “UFO” é, em resumo, a simplicidade da poesia concreta em forma de música unida ao imponderável do futuro das “Pistas de Luz” da composição de Rafael Rocha.

Pra fechar com elegância, Tono recebe Gilberto Gil no violão e em um doce duelo vocal com Lomelino na saudosa “Da Bahia”, uma legítima bossa nova com toques de “bolhas” onomatopéicas. E o tropicalismo latente do Tono, desde as origens, fica gravada em “A Cada Segundo”, composição de Rafael Rocha que serve à reflexão existencial de que “o mundo não volta atrás / e nunca é tarde demais”.

Fazendo destas palavras as minhas, desejo um belo e novo ano aos leitores, refletindo que nunca é tarde para fazer diferente, e sempre!

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