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A ocupação da Banca 021

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

[Cari Caldas]

“E aí, galera? Vamos nos divertir hoje?”.  Foi assim que Ivan Mendes, diretor do clipe “Essa Música Não é Para Ela”, do A Banca 021, deu o tom para as quase 30 pessoas que se reuniam no set de gravação. Sob a luz dos holofotes, os integrantes Porto, Urso, GB e Carlos do Complexo transformavam em poesia a amizade de longa data com o parceiro Luthuli Ayodele, o “gogó de ouro” da banda Sinara. Nos bastidores, uma equipe que acreditou na música ainda nos arranjos iniciais. O resultado? Choro de emoção e história para contar. “A gente consegue sentir uma energia muito forte nessa música pelo número de pessoas envolvidas que se dedicaram como se fosse a vida deles em jogo”, relembra Porto.

Para explicar essa junção, é preciso voltar às origens dos jovens que fazem questão de ocupar cada pedacinho do Rio. Campo Grande, na Zona Oeste, foi o palco para a construção de um coletivo de rap, embrião do grupo, encabeçado por Urso e Porto. Como “brincadeira de adolescente”, a dupla decidiu investir em composições e acabou esbarrando em GB, produtor audiovisual com (muitos) talentos musicais escondidos na manga. Assim, a Banca 021 estava formada.

Do outro lado da cidade, no Engenho da Rainha, um menino de postura retraída e poucas palavras escondia ser um “monstrinho” na mixagem. O Arte Core, festival de skate, arte e música no Centro, foi o pretexto para que seus caminhos se cruzassem e Carlos- só Carlos, como se apresentou na época-, se tornasse a peça chave para completar o quebra-cabeça do grupo. Para dar as boas vindas ao novo beat maker, Urso resumiu o sentimento dos outros integrantes: “Sabe o que é? A gente acha que tu é tão banca quanto a gente”.

Além da vivência nas ruas, a internet também rendeu bons frutos para a banda. Fora o alcance estrondoso dos novos singles– o clipe mais assistido do grupo tem mais de 12 milhões de visualizações-, a ferramenta permitiu parcerias com outros artistas, como foi o caso de Luthuli. “É uma troca, velho. Para poder unificar o som”, explica o vocalista da banda Sinara.

Para escrever “Esse Som Não é Para Ela”- que segundo eles é para dizer muita coisa-, se mudaram por quatro meses para uma casa em Ilha de Guaratiba. Saíram de lá com mais de 40 músicas e uma conexão inexplicável. Nas palavras de Urso, “foi o único momento que a gente conseguiu não se sentir na Babilônia”.  O single, que chega às redes e plataformas de streaming hoje, 25 de maio, foi escrito em 10 minutos depois que Luthuli se apaixonou pelo som, ainda na versão acústica.

Ontem, os meninos se juntaram na CoLaB, em Botafogo, para o pré-lançamento do clipe. A gente conseguiu dar uma passada por lá e depois do que vimos, só conseguimos desejar muita sorte e luz para esse time de ouro!

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