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O Pará toma conta

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Gala/Pitada]

Não tem pra ninguém. Na música o Pará é a bola da vez e parece não querer passar pra mais ninguém. O tecno brega (ou melody), juntamente com o funk carioca, são os nossos legítimos ritmos eletrônicos. Nesse embalo, o furacão Gaby Amarantos chegou ao sul com tanta força que rapidamente colocou uma de suas interpretações na abertura de novela da Vênus Platinada. E este veio generoso e enriquecido traz uma bela artista para os ventos de cá. Luê Soares, ou simplesmente Luê, prepara o lançamento de seu primeiro disco pelo projeto Natura Musical.

Sua incursão como cantora é bastante recente – menos de dois anos –, mas ao ouvi-la cantando percebe-se uma segurança e personalidade impressionantes. Filha do músico e compositor Junior Soares – um dos mestres na pesquisa do caldeirão musical e cultural dos rincões nortista e nordestino, à frente do grupo paraense Arraial da Pavulagem –, Luê escondeu seu belo timbre atrás de anos de estudo clássico do violino no Conservatório Carlos Gomes, em Belém. Após tomar coragem e soltar a voz, Luê migrou do violino para o seu ancestral, a rabeca, encaixando perfeitamente sua escolha ao repertório plural adquirido, por gosto próprio, em audições dos mais variados ritmos, desde Bjork e Beatles aos mais populares artistas de sua região.

O disco, esquentando no forno da prensagem, teve produção do músico e compositor Betão Aguiar, filho de Paulinho Boca de Cantor (integrante do clássico Novos Baianos) e baixista de Arnaldo Antunes. Essa aproximação garantiu a Luê as participações do próprio Arnaldo e seu braço esquerdo, o guitarrista Edgar Scandurra, além dos bateristas Curumin e Pupilo. Este último mais uma vez produziu o recém-lançado disco do cantor e compositor Otto, “The Moon 1111”, que, encantado pela belíssima voz de Luê, a convidou para um duo na faixa “Selvagens olhos, nego!”. E Otto já cantou a pedra: Luê com a idade que tem (23) e o timbre vocal que ora lembra um pouco de Marisa Monte no início de sua carreira, chegou pra ficar e vai longe!

 

 

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