Ir para conteúdo

Pensando no futuro da moda

Fotos: Bel Corção
|
Texto: RIOetc

@akihitohira

Antes de cursar Design de Moda, Akihito Hira apostou na formação em Ciência da Computação em São Paulo e foi para Brasília trabalhar com informática. Em 2006, quando abriu a primeira faculdade de moda na cidade, ele chegou a ter receio de se matricular, mas a recepção da família, que já contava com uma avó costureira e um bisavô alfaiate, se saiu bem melhor que o esperado: “Geralmente os pais são bem mais machistas, meu pai era um japonês muito sisudo, mas foi ele quem mais me apoiou. Quando tinha que comprar tecido, ele comprava pra mim em São Paulo e me mandava via Correios para Brasília”.

Dois anos depois, a ousadia de Akihito rendeu suas primeiras grandes oportunidades. Na época ainda estudante, ele decidiu inscrever uma coleção inspirada no filme “O Paciente Inglês”- que trata de forma poética a Primeira Guerra Mundial-, para o concurso de novos talentos do Capital Fashion Week, uma das principais semanas de moda em Brasília. Para sua surpresa, as peças foram aprovadas unanimemente pela curadoria e ele recebeu como prêmio um desfile completo no evento. A partir daí, as peças de alfaiataria de Akihito marcaram presenças em desfiles como a do Rio Moda Hype, Fashion Rio, Fashion Business, aqui no Rio; e Dragão Fashion, em Fortaleza.

Além dos verdadeiros shows nas passarelas, Akihito dividia seu tempo em Brasília entre o ateliê e as salas de aula, inspirado pelo pai, também professor. Quase como obra do destino, depois de tanto bater ponto na Cidade Maravilhosa, o estilista recebeu um convite para lecionar nas duas unidades do SENAI CETIQT, Riachuelo e Barra da Tijuca. Apesar da dúvida em sair da capital, Akihito decidiu mais uma vez apostar no destino e veio de malas prontas no início deste ano para o Rio. A mudança realizou um desejo pessoal do professor: “Só de você sair à noite e sentir o cheiro de maresia, eu fico pirado de tão gostoso que é”.

No SENAI CETIQT, ele dá aula de Métodos e Processos em Design, que ajuda os alunos a entenderem a metodologia do curso; Fundamentos da Cor, que trata sobre a cor desde seu aspecto físico ao uso adequado do círculo cromático; e Linguagem Visual, que fala sobre o modo se comunicar através das roupas. Ainda na instituição, ele faz parte de um projeto para a implementação da “Alfaiataria 4.0″ a preços acessíveis no Brasil. Isso significa que, utilizando as técnicas da 4ª Revolução Industrial – ou seja, automação, tecnologia e controle de processos-, será possível construir peças de alfaiataria, através de aplicativos e customizadas sob medida.

“É assim: a pessoa entra lá no app, faz o pedido e escolhe: eu quero um blazer tal, com gola inglesa, sem lapela, por exemplo, escolhe qual o tipo de forro… Ou seja, o cliente vai construir a roupa através do aplicativo e ele mesmo vai startar o processo de feitura. Ele já envia a requisição, o sistema vai ler essas restrições, manda para a máquina, gera o molde e vai direto para uma mesa de corte. A mesa corta sozinha todos esses tecidos e depois eles são levados para a costura. É quase tudo automatizado, né?”, explica o estilista.

Apesar das ideias inovadoras para o futuro, Akihito ainda tem grandes projetos para a sala de aula, que pretende aplicar o mais rápido possível. Ao ser perguntado sobre a sua grande paixão no Design de Moda, os olhos do professor imediatamente brilharam e ele não pensou duas vezes em responder: “Ah, a modelagem. Eu acho que a modelagem é o início de tudo, né? Ela é a base de tudo, como se fosse para o um arquiteto ou para um engenheiro, é o alicerce. Se você não constrói uma modelagem adequada, a sua roupa não vai ficar legal”. Nos próximos semestres, o SENAI CETIQT vem com novidades para os apaixonados por modelagem em alfaiataria e apesar da gente não poder dizer muito, de uma coisa você pode ter certeza: o Akihito não fica de fora dessa.

O vestibular para o curso de Design de Moda já está com as inscrições abertas, com início do ano letivo para 30 de Julho de 2018.

Comentários