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Flávio Canto e o alto rendimento em alto mar

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

Começam oficialmente nesta sexta-feira, a partir das 8h, os Jogos Olímpicos de Tóquio. E esta semana estivemos com Flávio Canto, um de nossos heróis dos tatames. O judoca, medalhista em Atenas-2004, atualmente dirige o Instituto Reação, que promove o desenvolvimento humano e a integração social por meio do esporte e da educação – 2.300 crianças, adolescentes e jovens participam do projeto, espalhados por nove pólos. A propósito: quem assistir a cerimônia de abertura na TV Globo vai ouvir comentários do Flávio, que já participou de três Olimpíadas.

O cenário desse encontro não podia ser mais inusitado: um navio-plataforma no Norte Fluminense, pertencente à PetroRio, parceira do Reação e maior companhia independente de óleo e gás do Brasil.

– Foi uma experiência fantástica, dá uma emoção pegar um helicóptero e pousar no meio do oceano, em cima da plataforma. Confesso que estava um pouco tenso, mas é uma experiência que a gente não esquece – conta Flávio.

Por incrível que pareça, Flávio encontrou muitas semelhanças entre sua vida de atleta e a rotina dos embarcados – que passam duas semanas em terra firme, com suas famílias, e outras duas em alto mar, trabalhando.

– Passei dos meus 19 anos até os 35 nessa vida, digamos, embarcado. Passava metade do tempo fora do Brasil, competindo. Parece um pouco a vida de um petroleiro, guardadas as devidas proporções. A gente viajava sempre com a seleção brasileira, ficava duas semanas no Rio, depois duas no Japão; voltava pro Rio, depois ia pra Europa; vinha pro Rio, ia pra não sei onde – compara. – Então me senti nesse saudosismo ao conversar com o pessoal.

Flávio ainda enxerga outras semelhanças: o companheirismo, a superação de desafios, a celebração das conquistas. A turma da PetroRio acaba de realizar um ousado projeto de engenharia que interliga dois campos, o de Tubarão Martelo e o de Polvo, distantes 11 Km um do outro.

– Senti um alinhamento de todo mundo, a história do projeto ter dado certo num tempo curto, muito orgulho de todos, e ao mesmo tempo já numa cultura de página virada, que tem a ver muito com o que aprendi também, de celebrar rápido pra já ir pra próxima luta – a “síndrome da próxima luta” – então me senti muito conectado com eles. Mas especialmente pelo fato de ter “duas vidas”. De estar com sua família e de repente estar com sua segunda família. E pra isso dar certo precisa de uma relação de muito companheirismo e parceria – avalia.

Por fim, Flávio reconhece nos petroleiros uma permanente busca por sair da zona de conforto, como um atleta de alto rendimento.

– O desafio também tem muito a ver com nosso esporte, e com o esporte em geral. Sair da zona de conforto para estar sempre numa cultura de crescimento permanente – essa coisa de faixa preta com espírito e fome de faixa branca, procurando ampliar conhecimento, crescer, estar aberto pra se autodesafiar e ir pra próxima luta sempre.

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